Queratoconjuntivite Seca

Queratoconjuntivite Seca


 

A queratoconjuntivite seca é uma doença que por vezes afeta animais de companhia, sendo mais comum em cães – com uma incidência de 1% nesta espécie. Resulta da produção insuficiente de lágrima no olho que, por consequência, provoca o ressecamento e inflamação da córnea e da conjuntiva. Algumas das raças de cães mais comumente afetadas com esta doença são a Shih tzu, Pequinês, Buldogue inglês, Yorkshire terrier, Pug, Cocker spaniel americano e o Schnauzer miniatura.

Os sinais clínicos incluem: desconforto ocular, diminuição da acuidade visual, descarga ocular mucoide ou mucopurulenta, hiperemia da conjuntiva, ressecamento da superfície ocular e pigmentação da córnea.
Na maioria dos casos, a etiologia desta doença em cães permanece idiopática e associada a doença imunomediada contudo, pode também estar relacionada a doenças metabólicas, como hipotiroidismo, diabetes mellitus, síndrome de cushing, à terapia prolongada com sulfonamidas e atropinas, ou à remoção da glândula da terceira pálpebra. Por outro lado, em gatos está comumente relacionada com a infeção por herpesvírus.

O diagnóstico baseia-se na anamnese, exame oftálmico e o teste de Schirmer. Este teste, mede a quantidade de lágrima produzida, através da colocação de uma tira de papel absorvente com uma escala milimétrica no interior da pálpebra inferior durante 1 minuto. O resultado é mensurado pela extensão do papel que ficou húmida devido à distância que a lágrima percorreu; sendo que valores inferiores a 15mm/min são sugestivos a queratoconjuntivite seca em cães. Nos gatos, são suspeitos valores inferiores a 10mm/min.

O tratamento medicamentoso é eficaz e tem como objetivo estimular a produção lacrimal e manter a integridade da superfície ocular. Isto é conseguido com o uso de lacrimogénicos, lágrimas artificiais, imunossupressores, anti-inflamatórios, mucolíticos e antibacterianos tópicos. Quando o tratamento medicamentoso se mostra insuficiente, o tratamento cirúrgico é uma alternativa sendo aplicado através do transplante das glândulas salivares.

Bibliografia
Pigatto, J. A. T., Pereira, F. Q., Almeida, A. C. D. V. R. D., Redaelli, R., Faganello, C. S., Franzen, A. A., 2007. Ceratoconjuntivite seca em cães e gatos. Acta Scientiae Veterinariae, 35, 250-251.