Será que cães de raça grande vivem mais?

Será que cães de raça grande vivem mais?

 

 

O envelhecimento é descrito como um processo progressivo, no qual a função fisiológica e a aptidão física vai diminuindo com o passar do tempo. É também um progresso irreversível e que vai causado modificações no fenótipo de um indivíduo. A mitocôndria (principal fonte de energia das células) tem revelado um papel muito importante para o processo de envelhecimento uma vez que, com o passar do tempo, vão-se tornando maiores e em menor quantidade, a sua atividade de respiração diminui e os seus danos aumentam. Para além disto, durante o envelhecimento, a produção de espécies relativas (RS) mitocondriais aumenta, levando assim ao aumento do dano oxidativo.
Relativamente ao estudo, este consistia em descobrir o mecanismo que está por detrás do facto de as raças grandes envelhecerem mais rapidamente que as raças pequenas no contexto do stress oxidativo e do metabolismo celular. Para a sua realização, os autores mediram o consumo de oxigénio basal (OCR), migração de protões e glicose, taxas de produção de espécies relativas (RS) e redução do conteúdo de glutationa (GSH). Foi também analisado o conteúdo mitocondrial e o dano por peroxidação lipídica (LPO) e os danos referentes ao ADN (8-OHdg).
Para a realização deste estudo os autores estiveram limitados em diversos aspetos, tais como: colheita de amostra limitada e falta de registos médicos completos, sendo que não havia informação sobre o tipo de dieta e exercício físico, entre outros, para nenhum indivíduo deste estudo.

Quanto aos resultados:

– A respiração basal e a migração de protões foram maiores em cães mais velhos em comparação com os cachorros, tal indica que o consumo de oxigénio celular varia com a idade de forma similar em ambos os tamanhos.
– Parâmetros glicolíticos: cachorros de raças menores apresentam uma capacidade glicolítica significativamente menor em comparação com raças maiores. Os dados do estudo relativamente à taxa metabólica poderão, também, sugerir que o consumo de oxigénio aumenta com o envelhecimento em cães, enquanto a glicólise diminui.
-Quanto ao stress oxidativo, este não é avaliado apenas relativamente à produção de RS, é também preciso ter em conta o sistema antioxidante do organismo e o dano oxidativo acumulado quando o anterior não consegue acompanhar a produção de RS. Há relatos que as enzimas antioxidantes estão sob controlo do sistema endócrino, no qual serão afetadas pela idade e sexo do cão. Foi encontrada uma diferença na classe etária em GSH (glutationa), onde os cães mais velhos apresentavam um certo aumento, apesar do seu tamanho. Em cães com longas trajetórias de crescimento há uma maior incidência de doenças de desenvolvimento, o que irá diminuir a esperança média de vida. Raças maiores podem, também, apresentar aumentos significativos de danos oxidativos durante o seu início de vida e, por isso, um aumento da taxa de doenças associadas a danos causados por radicais livres o que leva, consequentemente, ao aumento da morbilidade.
– Foi também encontrada uma correlação negativa entre o dano do ADN (medido através da quantificação da concentração de 8-OHdg) e o tempo médio de vida da raça. O dano oxidativo referente ao ADN é muito importante uma vez que diminui o tempo de vida das células do organismo devido a modificações e alterações genómicas. Por isso, é espectável que animais com uma vida mais longa sejam capazes de um processo mais eficiente de reparação de ADN que os que apresentam uma vida de curta duração.

Os autores concluíram que todos estes mecanismos descritos anteriormente podem estar fortemente envolvidos nas diferenças das expectativas de vida entre raças grandes e pequenas de cães.

 

Podes ver mais em: http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0195832