O Paradigma “One Health”

“One Health” é definido como um esforço multidisciplinar e integrativo a nível mundial para alcançar a saúde de todos: pessoas, animais e meio ambiente. Antigamente, não existia qualquer distinção entre medicina humana e animal. Contudo, com o passar do tempo e com o desenvolvimento da ciência médica, foi-se criando uma separação entre estas.
Uma das questões mais importantes desta iniciativa é a cooperação entre as ciências humanas, ambientais e humanas de forma a combater as ameaças à saúde pública, tais como o aumento da resistência a antimicrobianos e as zoonoses. Estes dois problemas não afetam somente uma espécie e por isso devem ser alvo de grande preocupação, uma vez que, aproximadamente 61% dos agentes infeciosos que afetam os seres humanos são zoonóticos ou seja, transmitem-se dos animais para os humanos.
Passando agora para a perspetiva da “One Health” relativamente à resistência antimicrobiana, o número de animais produtores de alimentos com finalidade ao consumo humano tem aumentado com o passar dos anos, e a acompanhar este crescimento tem vindo o aumento também da utilização de antibióticos. Estes últimos, são muito utilizados como promotores de crescimento e, quando usados recorrentemente e por um longo período, provocam nas bactérias dos animais uma resistência aos mesmos. Desta forma, esta resistência não é apenas um problema relacionado com seres humanos. Uma das causas que também potencializa esta tendência crescente de resistência é a falta de conhecimento relativo ao maneio de antibióticos nas práticas veterinárias e médicas.
Relativamente às doenças de caráter zoonótico, é muito importante implementar um sistema de vigilância nos animais e no seu ambiente reprodutivo para, deste modo, detetar precocemente este tipo de doenças e a sua transmissão. É também muito importante que médicos e médicos veterinários comuniquem entre si, com o objetivo de partilharem conhecimentos e realização de estudos em conjunto.
Nas doenças infeciosas, o fator ambiental tem que ser tido em conta uma vez que estes são muito diversos em diferentes partes do mundo. Atualmente, são necessárias mais pesquisas sobre o efeito dos fatores ambientais nas doenças infeciosas para uma estimativa da sua extensão e disseminação.
Concluindo, é muito importante que todos os profissionais na área da saúde estejam cientes deste conceito. Deste modo, abrangendo todos os seres vivos, irão contribuir para um melhoramento da saúde pública a nível mundial.
Sabe mais em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5717333/
