Relacionamento entre Gatos e Carboidratos

Relacionamento entre Gatos e Carboidratos

 

 

Nutricionalmente falando, a dieta da espécie Felis silvestres era essencialmente alta em proteína, moderada em gordura e baixa em carboidratos. Este tipo de dieta, estritamente carnívora, modificou o metabolismo e a fisiologia dos gatos e resultaram em características digestivas e metabólicas específicas quando se trata da metabolização dos carboidratos. Por exemplo, a espécie felina, comparativamente às espécies omnívoras, necessita de um maior aporte de certos nutrientes, tais como proteína, vitamina A e D, taurina, metionina e arginina.
E o que são carboidratos? Carboidratos são biomoléculas constituídas por oxigénio, hidrogénio e carbono e podem ser classificados em açúcares simples tais como os monossacarídeos (glucose, frutose e galactose) e os dissacarídeos (lactose, sacarose e maltose). Temos também os carboidratos oligossacarídeos (9 unidades de açúcar) e os polissacarídeos (10 ou mais unidades de açúcar).
Como já foi referido anteriormente, devido à dieta dos seus ancestrais, os nossos gatos domésticos apresentam algumas particularidades digestivas e metabólicas no que diz respeito à absorção e metabolização dos tão falados carboidratos. Estes têm uma baixa capacidade de digestão do amido, um polissacarídeo, por enzimas digestivas endógenas e apresentam uma amílase salivar limitada, sendo esta responsável pela iniciação da digestão do mesmo na cavidade bucal. Para além disto, a amílase intestinal dos felinos, comparativamente a outros animais, é mais baixa.
Devido ao processamento dos alimentos para as pet foods, as fontes de carboidratos são expostas a altas temperaturas e a um processo de moagem, processos estes que aumentam a sua digestibilidade. Quando em excesso ou mal digeridos, estes são depositados no colón e servem de substrato para a fermentação microbiana. Ou seja, um elevado número de carboidratos reduzem o pH do colón, o que poderá causar episódios de flatulência e diarreias. Estudos referem que os gatos conseguem digerir, absorver e utilizar a glicose de maneira similar a outras espécies.
Muitos gatos são alimentados com comida seca, dado que a mesma é mais prática e económica. Neste tipo de alimentação, a percentagem de carboidratos é maior – cerca de 20-40% – uma vez que estes são muito importantes pois contribuem para a estrutura e integridade do alimento. Esta discrepância de carboidratos presentes numa dieta comercial e numa à base de presas é frequentemente considerada uma das principais causas da obesidade felina, doença muito comum nos dias que correm. Estes elevados valores de carboidratos estão associados a um aumento da produção da insulina e, consequentemente, ao aumento da deposição da gordura. Deste modo, é importante não alimentar em demasia o seu gato e respeitar a sua necessidade energética diária, sendo esta dependente de vários fatores tais como a idade e a atividade física.
Uma curiosidade muito interessante acerca dos gatos é que estes, ao contrário do que muitos podem imaginar, não preferem comidas com sabores adocicados.

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