Como lidar com as Convulsões Epiléticas?!

Como lidar com as Convulsões Epiléticas?!

 

Muitos são os cães que se apresentam a uma consulta veterinária devido à ocorrência de uma ou várias ocasiões de convulsões. Os proprietários dos animais demonstram grande preocupação e a primeira coisa em que pensam é que o seu animal apresenta um quadro clínico de epilepsia. No entanto, nem sempre é assim. As convulsões podem ter diversas causas e, por isso, é importante realizar um exame físico detalhado. Este teste vai permitir perceber o tipo de convulsão, quando iniciar a terapêutica e estar confortável com o tutor para lhe expor as diversas metodologias de tratamento.
Inicialmente, é muito importante diferenciar as convulsões com a epilepsia. De acordo com a International League Against Epilepsy (ILAE), uma convulsão é uma ocorrência transitória de sintomas ou sinais devidos a uma atividade neural síncrona ou excessiva. Relativamente à epilepsia, a ILAE define-a como uma doença cerebral caracterizada por uma predisposição para a ocorrência de convulsões e com consequências a nível neurobiológico, cognitivo, psicológico e social.
Neste artigo consultado são relatados dois tipos de convulsões, as focais e as generalizadas. As convulsões focais são caracterizadas como originárias de apenas um hemisfério cerebral, já as generalizadas envolvem ambos os hemisférios. Estas últimas geralmente encontram-se associadas a uma perda de consciência, salivação, defecação e micção e são o tipo de convulsões mais reconhecidas em animais. O tipo de convulsão mais perigoso é conhecido como status epilepticus (SE), sendo que se trata de uma convulsão seguida de outra sem um período de recuperação entre ambas e quando apresentam uma duração superior a cinco minutos.
Existem várias classificações de epilepsia, no entanto na nossa prática clínica apenas duas são mais utilizadas: epilepsia idiopática ou estrutural. A epilepsia idiopática é quando existe suspeita de um fator genético ou quando não se reconhece a sua causa. Já a epilepsia estrutural é desencadeada por uma patologia cerebral – neoplasias, infeções, traumatismos e doenças degenerativas.
Para o diagnóstico da epilepsia é muito importante a realização de um exame neurológico detalhado – teste aos nervos craniais, palpação cervical e toracolombar e avaliar os reflexos posturais. É também muito importante subter diversas perguntas ao tutor tais como: quando é que a primeira convulsão foi observada, a sua duração, em que parte do dia ocorreu, se ocorreu após algum tipo de atividade física, etc. Se o tutor não nos conseguir transmitir as informações necessárias podemos pedir para que este filme as ocorrências.
Diversos testes poderão ser realizados quando existe suspeita de epilepsia, tais como: hemograma, ácidos biliares, urinálise e pressão sanguínea. No caso da epilepsia estrutural deverão ser realizados testes mais específicos como ressonância magnética e análise ao líquido cefalorraquidiano.
O tratamento da epilepsia passa, principalmente, pelo controlo e pela diminuição da frequência das convulsões com o mínimo de efeitos secundários possíveis. Num estado inicial do tratamento são utilizadas benzodiazepinas. Poderá também ser utilizado o fenobarbital e o levetiracetam, ambos via intravenosa. Para o sucesso do tratamento do animal é muito importante a colaboração do tutor, este deve ser informado da dose, efeitos secundários e o que fazer em casos de emergência. É também importante informar que a medicação deve ser tomada de forma regular.
Em suma, quando um animal se apresenta à consulta com historial de convulsões devemos verificar se esta se trata de uma atividade epilética e classificá-la baseada numa história e examinação precisa. A terapêutica é também muito importante e deve ser concebida individualmente, dependendo de caso para caso.

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