Distócia em Cobra

Uma cobra de 5 anos foi encaminhada para o centro veterinário com sinais de anorexia, edema celelópico e edema submandibular. À anamnese, os proprietários referiram que já possuíam a cobra desde a sua idade mais jovem e que a mesma nunca tinha sido cruzada com outros animais; tinha uma dieta e um maneio ambiental ideal.
Ao exame físico, a cobra apresentava-se com boa condição corporal mas com notável distensão do terço médio e caudal da cavidade celómica. Além disto, à palpação eram notáveis várias massas ovais, não dolorosas, nesta região.
Visto a não urgência de resolução rápida, foi adiada a resolução cirúrgica do animal até obtenção de mais respostas – desta forma, a cobra foi sedada com Alfaxalona IV para seguir para Tomografia Computarizada. Este exame confirmou uma quantidade significativa de líquido na cavidade celómica, além de múltiplos folículos e ovos inférteis.
Foi ainda realizada análise sanguínea, bioquímica e fecal, a qual se demonstrou compatível com a atividade reprodutiva do animal.
Após discussão com o proprietário, a cobra seguiu para coelotomia exploratória.
Em contexto cirúrgico, foi analgesiada com Morfina IM, Meloxicam IM e Ceftazidima IM e a sua anestesia foi induzida com Alfaxalona IV; entubada e ventilada com Sevoflurano.
Após incisão nas escamas laterais, o tecido ovariano e tecido do oviducto foram isolados, exteriorizados e removidos com material eletrotérmico para promover a hemostase.
A camada muscular da cavidade celómica foi fechada com padrão de sutura contínuo simples e pele com padrão interrompido em fio de polidioxanona.
No pós-operatório, a analgesia e antibiose com Meloxicam PO e Ceftazidima IM foram continuados. Cinco semanas após a cirurgia foram removidos os pontos da cobra, sendo que a lesão restante teve uma boa resolução e o temperamento normal e apetite do animal foram retornados.
