Há uma conexão entre os paraísos fiscais e a desflorestação e pesca ilegal

Há uma conexão entre os paraísos fiscais e a desflorestação e pesca ilegal

 

No estudo publicado na revista Nature Ecology and Evolution, uma equipa de cientistas revelou que um conjunto de empresas envolvidas na pesca ilegal usaram paraísos fiscais para registar as suas embarcações. Consta-se que 70% das embarcações de pesca implicadas na pesca ilegal (não reportada e não regulamentada) foram registadas em paraísos fiscais como: Belize e Panamá. Comparativamente, apenas 4% das embarcações mundiais têm bandeira de países de paraísos fiscais.
Os paraísos fiscais não só estão ligados à pesca ilegal como também a investimentos provenientes de contas offshore das Ilhas Caimão, Bahamas e Holanda na agropecuária e no cultivo de soja contribuindo para a desflorestação da grande floresta da Amazônia .
Cientistas também citaram documentação do banco central brasileiro que revelaram que entre os anos de 2000 e 2001, perto de 70% do capital estrangeiro investido pelas grandes empresas de soja e carne no Brasil foram transferidos para paraísos fiscais.
O estudo vem associado aos Panamá Papers publicados em 2016, os quais revelam como indivíduos e empresas manipularam estratégias em contas offshore para descontar no valor dos impostos.
No relatório feito, não são nomeados as empresas pesqueiras implicadas, no entanto os cientistas escreveram às empresas listadas nos registos do banco central brasileiro que revelaram que duas empresas possuíam o maior número de empréstimos ou dinheiro proveniente de paraísos fiscais, nominadas: Cargill e Bunge, as quais em comunicados revelaram o seu comprometimento na protecção das florestas e o não envolvimento em offshores e paraísos fiscais.
“Não ‘escondemos’ lucros ou dinheiro em paraísos fiscais”, respondeu um representante da Cargill às acusações.“O nosso objectivo é construir redes de fornecimento livres da desflorestação, referiu uma porta-voz da Bunge.

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