Cardiomiopatia Arritmogénica do Ventrículo Direito em Boxers

Cardiomiopatia Arritmogénica do Ventrículo Direito em Boxers

 

A cardiomiopatia arritmogénica do ventrículo direito (CAVD) é uma doença frequentes nos boxers. Até ao momento, ainda só foi identificado um gene responsável pela mutação, o gene da estriatina. No entanto, nem todos os cães com a deleção deste gene apresentam a doença e, nem todos os que têm a doença apresentam o mesmo grau de severidade. Em cães com presença de homozigotia para a deleção do gene da estreatina, o grau de severidade da CAVD, normalmente, é mais grave – com um elevado número de arritmias ventriculares e eventos de morte súbita.
Os mecanismos que levam à formação de um infiltrado de fibrina e de gordura e arritmias nesta doença ainda não se encontram totalmente decifrados. No entanto, surge a possibilidade de estarem relacionados com uma adesão desmossómica deficiente, o que poderá levar à inflamação, à morte dos cardiomiócitos e à formação de fibrose.
Esta é uma doença do miocárdio e, normalmente, surge durante a idade adulta, entre os cinco e os sete anos. Segundo Neil Harpster, autor do artigo “Boxer Cardiomyopathy”, poderão existir três apresentações de CAVD:

1- “Assintomático com complexos prematuros ventriculares”;
2- “Taquiarritmias e síncope ou intolerância ao exercício físico”;
3- Menos frequente: “Disfunção sistólica do miocárdio e dilatação ventricular”.

Não existem testes específicos para o diagnóstico desta doença. No entanto, podemos recorrer a uma combinação de diversos achados clínicos: meia-idade e presença de taquiarritmias ventriculares sem outra causa associada. Um histórico familiar de CAVD, presença de síncope ou intolerância ao exercício físico e um teste positivo para a deleção do gene da estriatina são um conjunto de boas informações para um diagnóstico.
Durante o exame físico nem sempre são encontrados sinais que nos levem a desconfiar de tal situação. Em alguns casos, uma das alterações físicas detetadas é a presença de um batimento ventricular prematuro. Podemos e devemos recorrer a eletrocardiografias, biomarcadores, holter, radiografias torácicas e ecografias para avaliar a nossa suspeita. Se ao exame físico for detetado uma arritmia é muito importante aconselhar ao tutor para utilização de um holter de forma a avaliar a complexidade e a frequência da mesma, uma vez que muitos cães poderão morrer, mesmo sem sinais clínicos.
Relativamente ao tratamento, a maioria dos cães segue uma medicação baseada em antiarrítmicos ventriculares com o objetivo de diminuir os complexos prematuros ventriculares e diminuir a complexidade das arritmias. Quando se recorre a esta medicação, os proprietários deverão ser avisados para o facto de que os antiarrítmicos ventriculares têm efeitos pro-arrítmicos e desconhece-se se esta medicação reduz ou não a probabilidade e o risco de uma morte súbita. Estes animais podem também ser suplementados com óleos de peixe e L- carnitina.
O prognóstico é sempre difícil de prever uma vez que o animal corre sempre o risco de morte súbita. No entanto, animais com esta doença e que sejam devidamente seguidos poderão viver muitos anos.

VER MAIS