Encontradas pistas em Portugal sobre a domesticação do cão

Encontradas pistas em Portugal sobre a domesticação do cão

 

Os resultados da datação por radiocarbono e a análise de ADN do esqueleto de um cão de dimensão média, datado da primeira metade do 6.º milénio a.C., ajudaram a perceber o processo de domesticação do cão no território nacional. “A cuidadosa deposição do cadáver na necrópole traduz o significado simbólico que lhe era atribuído por estas populações”, diz a arqueóloga Mariana Diniz, que coordenou, com Pablo Arias, a equipa da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e da Universidade da Cantábria nas escavações do concheiro das Poças de São Bento. Essa importância poderá expressar a valorização do papel do cão como auxiliar de caça, um laço afetivo que ultrapassa a simples relação simbiótica, ou o lugar deste animal na paisagem simbólica dos caçadores-recolectores.
O momento da domesticação do cão tem vindo a ser recuado pelos contributos da arqueologia e da genética. O processo de domesticação de animais selvagens teve uma natureza económica, mas esteve associado a um conjunto “de alterações sociais e mentais que, no limite, distingue as sociedades produtoras, sedentárias e armazenadoras das sociedades de caçadores-recolectores, não-sedentárias, sem acumulação de riqueza”, explica a arqueóloga. “Este parece um fenómeno profundo de domesticação não apenas da natureza, mas da sociedade e dos seres humanos.”
Os concheiros do Sado foram descobertos na década de 1930 pelo engenheiro-agrónomo Lereno Barradas. Na década de 1950, Manuel Heleno, diretor do Museu Nacional de Arqueologia (MNA), promoveu uma intensa campanha no Sado de que resultou um espólio de milhares de artefactos líticos, objetos de adorno e restos faunísticos, e a identificação de uma centena de enterramentos humanos. O projeto Sado-Meso encontra-se em fase de processamento, em gabinete e laboratório, dos dados recolhidos ao longo de sete anos de trabalhos de terreno.

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