Portugal investe na luta contra envenenamento de animais selvagens

Portugal investe na luta contra envenenamento de animais selvagens

 

Uma das maiores causas de mortalidade não naturais de espécies selvagens é o veneno, usado há milhares de anos contra estes animais. Quer seja no campo ou nas cidades, a morte destes animais surge de forma mais ou menos célere, mas sempre dolorosa.
Como marco desta revolução ficou o dia 8 de Novembro de 2003, no concelho de Idanha-a-Nova, em que 33 grifos, 3 abutres-pretos e 3 milhafres-reais morreram por terem ingerido uma ovelha com veneno, destinada a matar cães assilvestrados. Este desastre levou à criação em pouco menos de um ano, por parte de vários conservacionistas portugueses, do Programa Antídoto.
Este projeto foi, no início do mês de Abril de 2019, revisto e melhorado, traduzido num acordo de parceria assinado entre nove entidades: Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Procuradoria-Geral da República e GNR, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, universidades de Lisboa, Évora e de Trás-os-Montes e Alto Douro e duas organizações não-governamentais, Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza e Aldeia, responsáveis pela gestão de vários centros de recuperação de animais selvagens.
O acordo de parceria revê os procedimentos a executar nos casos em que são encontrados, em meio natural, animais selvagens mortos ou feridos com suspeita de envenenamento. Além disso, também deu origem à Rede Nacional de Centros de Necropsia e Toxicologia, para melhorar a operacionalidade dos exames periciais.
No final da assinatura do acordo, Samuel Infante, conservacionista da Quercus e uma das pessoas responsáveis pela criação do projeto, mostrava-se satisfeito: “Este acordo é um sinal muito positivo e estão a ser dados passos fundamentais para consolidar o programa Antídoto.”
Com a revisão deste acordo passam também a existir 4 equipas cinotécnicas da GNR no terreno para realizar a prospeção de indícios de envenenamento.
Para Joaquim Teodósio, responsável pelo Programa Terrestre da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (Spea), “este protocolo é uma tentativa de aprender com algumas lições do passado”, estabelecendo um conjunto de instruções coerentes a aplicar por todo o país. “A questão do envenenamento de animais selvagens é urgente. Legislação já há, o importante agora é conseguirmos aplicá-la da melhor forma.”

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