Focas auxiliam investigação de mistério na Antártida

Algures nos anos 70, um grupo de cientistas detetou uma gigante área de água doce rodeada de gelo no mar de Weddell, Antartártida. O desenvolvimento destes locais, designados polínias, não está associado apenas com alterações de temperaturas, o que sugere um mecanismo mais complexo para a sua génese.
Uma equipa liderada por Ethan Campbell, da Universidade de Washington, decidiu investigar este misterioso local e os fenómenos que o originaram. Os recursos utilizados foram variados e incluíram satélites, sensores flutuantes e…. focas!
Equipadas com sensores na cabeça, as focas da espécie Mirounga leonina, que mergulham a profundidades de 600 a 2000 metros, permitiram obter informações de múltiplos locais do oceano. Estes sensores foram colados à cabeça com resina específica e não atrapalham o dia-a-dia destes mamíferos, acabando por cair ao fim de algum tempo.
As medições revelaram que a ocorrência de níveis maiores de salinidade e correntes mais fortes parecem ter estado na base da formação da polínia. Para isto contribuiu também a existência de uma montanha subaquática na região, que permite concentrar correntes de água mais quente, que atingem o gelo. Ainda resta descobrir quais os efeitos das alterações climáticas nestes fenómenos e se tornarão as polínias mais ou menos frequentes.
