Pinguins Hooligans

Os pinguins-de-adélia (Pygoscelis adeliae) são pequenos pinguins que habitam a Antártida e várias ilhas costeiras em redor. Como os restantes pinguins, são nadadores esguios e eficientes que conseguem nadar cerca de 300 km à procura de uma refeição. O dimorfismo sexual é praticamente inexistente nesta espécie.
Numa expedição à Antártida, realizada entre 1910 e 1913, o explorador britânico Dr. George Murray Levick (1876-1956) ficou chocado com o que encontrou. Em Cabo Adare, onde está localizada a maior colônia de pinguins-de-adélia, Levick relatou casos de violações, homossexualismo, pederastia e necrofilia.
Levick ficou tão horrorizado com as descobertas que inicialmente as registou em grego para que apenas pudessem ser lidas por pessoas letradas e preparadas para o seu conteúdo. Quando voltou a Inglaterra, publicou o seu estudo numa comunicação em inglês “Natural History of the Adélie Penguin”, do qual excluiu o relato sobre o comportamento sexual dos pinguins.
Na obra de Levick é possível ler descrições de pinguins-de-adélia masculinos que se reuniam em pequenos bandos para montar fêmeas feridas. Outras têm as suas crias “mal utilizadas”. Algumas são esmagadas e feridas, outras acabam mesmo por morrer.
De acordo com Douglas Russell, curador do Museu de História Natural que redescobriu o artigo de Levick, os hábitos sexuais dos pinguins que tanto escandalizaram o cientista podem ser causados pelas condições climáticas da Antártica. Ele explica que os pinguins têm poucas semanas para completar o ciclo reprodutivo, que começa em outubro, e os jovens adultos simplesmente não têm experiência de como se comportar. Muitos respondem a sugestões inadequadas. Por exemplo um pinguim morto, deitado com os olhos semiabertos, é muito semelhante em aparência a uma fêmea complacente. O resultado é a chamada necrofilia que Levick testemunhou.
