Alterações climáticas ameaçam tartarugas em Cabo Verde

Alterações climáticas ameaçam tartarugas em Cabo Verde

 

As populações de tartarugas machos em Cabo Verde estão a ser particularmente ameaçadas de extinção devido ao aquecimento global e ao facto do sexo dos filhotes ser determinado pela temperatura de incubação. Este fato é particularmente perigoso devido à atual crise climática que vivemos, uma realidade que está documentada numa nova pesquisa recentemente divulgada pela Universidade de Exeter.
Segundo os cientistas responsáveis pela pesquisa, até 2100 apenas 0,14% dos filhotes de tartaruga serão machos – isto num cenário em que consigamos baixar e assim manter as emissões futuras. Em cenários com níveis médios e altos de emissões, projeta-se que vão existir literalmente zero tartarugas machos nascidas na população cabo-verdiana.
Este arquipélago é um hotspot especial para tartarugas. “Cabo Verde abriga uma das maiores populações de nidificação de tartarugas do mundo – até 15% do total global de nidificação”, disse a Dra. Lucy Hawkes, da Universidade de Exeter.
Além dessa crise, os investigadores também alertam para o facto de as temperaturas nestas ilhas poderem atingir níveis tão altos em 2100 que 90% dos ninhos poderão causar a morte das tartarugas antes que elas tenham a oportunidade de eclodir. Se tivermos em conta todas as dificuldades tradicionais de sobrevivência de um filhote de tartaruga, as hipóteses não parecem favoráveis a esta espécie.
Para determinar os números deste estudo, os cientistas analisaram os dados atuais de temperatura e nascimento com as projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). A principal autora, Claire Tanner, comentou: “O que nos surpreendeu foi como até mesmo o cenário de baixas emissões tem efeitos prejudiciais para essa população. O que isso nos demonstra é que agora é a hora de agir relativamente às mudanças climáticas – antes que seja tarde demais para evitar estas estimativas.”
Existe alguma esperança de que as tartarugas se possam adaptar às mudanças climáticas, mudando os ninhos para locais de nidificação mais frios ou passando esta fase para o início do ano, quando as temperaturas não são tão altas. Contudo, será necessário ter em conta que não há realmente nenhum lugar melhor para eles se mudarem, a não ser na sombra, à espera de uma brisa. A Dra. Lucy Hawkes acrescenta ainda que tendo em conta longa vida das tartarugas é provável que estas não consigam evoluir rápido o suficiente para acompanhar as mudanças climáticas.
Os cientistas dizem ainda que, embora os bebés do sexo masculino deixem de nascer, não é possível saber quanto tempo levará para que isso afete os números da população de tartarugas como um todo, dado que os machos mais velhos continuarão a produzir – só não se sabe por quanto tempo.

 

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