Periquitos diabretes

Alguém que passeie por Lisboa não consegue deixar de reparar nos estranhos “papagaios” que tornam os jardins da capital numa verdadeira floresta tropical! Os periquitos-de-colar, mais conhecidos como Ring Neck (Psitacula krameri) são, certamente, as aves que melhor caracterizam este cenário.
Na generalidade, estas aves tiveram, outrora, dono e foram libertadas, ou conseguiram fugir da gaiola e, consequentemente, adaptaram-se perfeitamente ao nosso clima e vida selvagem, o que possibilitou a sua reprodução e formação de grandes bandos. Atualmente é considerado como uma espécie da fauna portuguesa, porém exótica.
Lisboa não é o único local onde isto acontece, já que cada vez mais estas aves são encontradas em pequenas zonas urbanas, em qualquer ponto do país. O principal problema da introdução desta espécie, de bico curvo, no nosso ecossistema é devido, essencialmente, à competição com as espécies existentes. Na verdade, estas podem ocupar os locais de nidificação de outros e impedir que se reproduzam. Atualmente, esta situação ainda não é considerada preocupante. Contudo, existem cada vez mais espécies exóticas (não só de aves) a conseguir adaptar-se ao nosso país. O bengali-vermelho, o bico-de-lacre ou o mainá-de-crista, são exemplos de aves cuja situação é semelhante à do ring neck.
Em Espanha passa-se algo de semelhante, porém a situação é mais alarmante. O periquito-monge (Myiopsitta monachus), já é considerado uma epidemia. Há vinte mil exemplares deste animal, que pode viver em média doze anos e ter cinquenta crias. Segundo o apurado, “os ninhos do periquito-monge são tão grandes que sobrecarregam os ramos das árvores e, em algumas regiões, afastaram os morcegos do seu habitat (são territoriais) e já se registaram estragos no cultivo do milho e do girassol”.
