Algas como Suplemento para Bovinos

É do conhecimento geral que a emissão de gases de ruminantes contribui para o efeito de estufa. É estimada que estas emissões, anualmente, chegam aos 14,5% da emissão total, e são constituídas maioritariamente por metano. Este composto é produzido em grande parte pela fermentação entérica e também pela decomposição das fezes destes animas, embora em menor grau. Além da fermentação entérica de metano prejudicar o ambiente, aumenta também em 11% do consumo de energia usada pelo animal.
Ao diminuir o consumo de compostos que contribuem para formação de metano não estamos só a diminuir a emissão de gases para o ambiente, como também aumentamos a produtividade destes animais por conservação de energia.
Alguns estudos feitos com nitrocompostos de cadeia curta ou análogos do metano, como Bromocloretometano (BCM), provam que há uma diminuição da emissão deste gás através de inibição de uma das etapas da metanogênese. Nestes estudos houve o aumento da produção de leite, manteve-se a qualidade da carcaça, o aumento do peso e/ou a eficiência alimentar. Contudo, há compostos em que essa melhoria desaparece ao fim de alguns dias na dieta, e outros que ainda há necessidade de confirmação do seu efeito a longo prazo.
À semelhança destes compostos que reduzem de alguma forma a metanogênese, a alimentação dos animais também influencia muito esse processo. É o caso do estudo feito com macroalgas Asparagopsis taxiformis, na Austrália, em que reduz em mais de 90% a metanogênese sem que esta altere negativamente a qualidade da carne e a produção leiteira.
No estudo em questão foram usados 21 novilhos cruzados Angus-Hereford que foram alimentados em 3 fases e com intervalos de medição, num total de 147 dias. Todas as variáveis como idade, peso, dieta e variáveis da mesma, entre outras, foram tidas em atenção. Ao final das 21 semanas as dietas estavam completas. Todos os dados necessários foram sendo recolhidos ao longo do estudo, em padrões anteriormente estudados e pensados.
No final, após o abate dos animais, foi feita a recolha dos fígados e a classificação certificada das carcaças ao fim de 48h de envelhecidas. Os lombos do lado esquerdo também foram sujeitos a vários processos de conservação e posterior análise para medir a quantidade de bromofórmio, proteína, gordura, … Por fim, os bifes foram cozinhados e analisados ao longo de três dias por 112 participantes que os avaliaram, em vários parâmetros, de 1 a 9.
Concluindo os seus resultados, o estudo provou que com esta dieta, em que as algas vermelhas são incorporadas, há uma diminuição considerável dos níveis de emissão de metano, não há concentrações indevidas de bromofórmio nem iodo prejudicial à nossa saúde e a qualidade e propriedades sensoriais da carne não foram alteradas.
O próximo passo será o desenvolvimento de aquicultura desta espécie de algas, de forma a não ser tão prejudicial como é o metano. Haverá algumas dificuldades locais na produção da mesma, mas assim que forem ultrapassadas será um bom contributo para a diminuição do efeito de estufa.
