Utilização de Soro Autólogo no tratamento da Síndrome do Olho Seco

Utilização de Soro Autólogo no tratamento da Síndrome do Olho Seco

 

A Síndrome do Olho Seco ou também conhecida como síndrome da disfunção lacrima é uma patologia multifatorial que ocorre a nível da superfície ocular.
 
A elevada incidência desta patologia, assim como o seu grande impacto na qualidade de vida e visão dos animais, faz desta síndrome um problema de saúde pública real.
 
Enquanto o tratamento de casos mais ligeiros é geralmente simples e efetivo, o tratamento de casos mais severos é, muitas vezes, desapontante.
 
Um dos fatores que pode contribuir para que o quadro clínico associado à síndrome piore cada vez mais é a ausência de produção de lágrima, e é esta ausência que poderá levar ao aparecimento de outras patologias.
 
Por natureza, as lágrimas contêm diversas propriedades, entre elas: nutritivas, antimicrobianas e de lubrificação ocular. Todas estas propriedades são garantidas por componentes como as vitaminas, a fibronectina, e por fatores que promovem o crescimento celular. É a ausência destes fatores que promove a paragem de processos celulares importantes que suportam a proliferação, migração e diferenciação no epitélio corneal e no epitélio conjuntivo, além disso a ausência de produção de lágrima pode também provocar ou contribuir para que se desenvolvam determinadas patologias e problemas oculares tais como Síndrome do Olho Seco. Para resolver esses distúrbios foi descoberto o uso benéfico de Soro Autólogo.
 
Teoricamente, a aplicação tópica ocular de Soro Autólogo oferece uma vantagem relativamente a terapias tradicionais uma vez que, não só é um substituto de todos os fatores essenciais para uma boa saúde da visão como também imita, de uma forma muito semelhante, a composição química e a morfologia da lágrima natural.
 
Desta forma, a aplicação de Soro Autólogo foi considerada por muitos estudos um tratamento efetivo e eficaz para esta patologia.
 
Para a obtenção do Soro Autólogo deve efetuar-se uma recolha de aproximadamente 10 ml de sangue do próprio animal a que se destina, coloca-se esse sangue num tubo de bioquímica com heparina e de seguida distribui-se por diversos eppendorfs e leva-se a centrifugar até obtermos o soro corretamente separado da porção de hemácias e da porção leucocitária. Após estes processos estarem realizados deve-se pipetar todo o soro obtido e transferi-lo para novos eppendorfs que devem ser armazenados no frigorifico a 4 ºC. Caso se tenha obtido muito soro autólogo poderá optar-se por congelar algum desse soro sem que se corra o risco de alterar as propriedades.
 
A aplicação, como foi referido antes, é tópica ocular e é aconselhado apenas a administração de 1 gota por olho por cada toma. O doseamento deverá ser prescrito pelo médico veterinário consoante a severidade do problema e os hábitos do tutor e do animal.