Panleucopenia Felina

Panleucopenia Felina

A Panleucopenia felina, popularmente conhecida como Cinomose, é uma doença infeciosa, não zoonótica, induzida pelo vírus do género Parvovirus felino, e que apresenta distribuição mundial. É uma das mais comuns infeções virais que infeta gatos domésticos e silvestres, contudo, também infeta outros hospedeiros como guaxinins, martas e raposas. Os ambientes com elevados níveis de contaminação ambiental tais como os gatis de criação e abrigos de salvamento são de alto risco para a disseminação desta patologia. Caracteriza-se por ser mais prevalente em populações de gatinhos recém-desmamados quando os níveis de anticorpos maternos diminuem e em gatos adultos não vacinados.

Parvovirus, pela sua natureza química, são muito estáveis e capazes de se manter ativos por mais de um ano no ambiente. A transmissão pode ser direta, de forma oral, via intrauterina ou pela infeção dos neonatos, ou pela transmissão indireta, uma vez que Parvovirus felino é ativamente eliminado durante a fase aguda da doença principalmente pelas excreções e secreções corporais até 6 semanas após a infeção. A nível da patogenia, este vírus provoca leucopenia e atrofia das vilosidades intestinais, apresentando um período de incubação de 4 a 6 dias e uma taxa de mortalidade em gatinhos de 90% principalmente entre os 3 e 5 meses de idade.

A gravidade da doença vai depender da idade e do estado do sistema imunitário do felino. Os sinais clínicos evidenciados pelos felinos são: anorexia; ataxia; febres altas (40-41ºC); vómito; diarreia ou disenteria; desidratação extrema e hipotermia na fase terminal da doença. Os gatos que sobrevivem nos primeiros dias tornam-se imunocomprometidos, estando desta forma, suscetíveis ao aparecimento de infeções bacterianas secundárias. A infeção em gatas gestantes pode induzir ao aborto, infertilidade, nados-mortos ou parir gatinhos com hipoplasia cerebelar. O diagnostico da Panleucopenia felina é baseado na anamnese, sinais clínicos e pode ser confirmado com métodos de demonstração de partículas virais por microscópio eletrónico; a deteção do vírus pelos métodos ELISA; PCR fecal ou tecidual; hemaglutinação; hemograma e bioquimica e uso de amostras fecais de gatos na fase aguda da doença. O tratamento é sintomático e está indicado a utilização de fluidos intravenosos; transfusão sanguínea; antieméticos; suplemento de dextrose; vitaminas e antibióticos para tratar infeções bacterianas secundárias. A profilaxia médica é a principal medida de controlo através da imunização ativa ou passiva destes animais. O protocolo de vacinação normalmente inclui uma vacina combinada (Panleucopenia felina, Calicivirus felino, Herpesvírus felino), sendo iniciado a partir das 6-8 semanas de idade, com revacinação a cada 3-4 semanas até as 16 semanas de idade, a administração da vacina de reforço aos 12 meses e por fim, a vacinação a cada 3 anos. Os gatinhos desprovidos de colostro, devem iniciar a vacinação independentemente da idade, contudo, não é aconselhável o uso de vacinas vivas modificadas antes das 4 semanas devido ao risco de produzir degeneração cerebelar. Na imunoterapia passiva, utilizam-se antissoros na dose de 2 mL pela via subcutânea ou intraperitoneal em gatinhos não vacinados que foram expostos ao Parvovirus e requerem proteção imediata.

Em contrapartida, a profilaxia sanitária foca-se no uso de desinfetantes parvocidas tais como o hipoclorito de sódio, hidróxido de sódio ou formaldeído a 4%; a desinfeção térmica a temperaturas de 90ºC durante 10 minutos; redução do stress durante o maneio de animais; controlo da densidade dos animais; uso de testes de despiste da Panleucopenia felina; a criação de áreas de isolamento para animais infetados e o controlo da entrada de novos animais nos abrigos.

Bibliografia
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