{"id":3756,"date":"2019-07-17T17:10:24","date_gmt":"2019-07-17T16:10:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/?p=3756"},"modified":"2019-07-17T17:10:24","modified_gmt":"2019-07-17T16:10:24","slug":"ronronar-o-que-sabemos-afinal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/2019\/07\/17\/ronronar-o-que-sabemos-afinal\/","title":{"rendered":"Ronronar \u2013 O que sabemos afinal?"},"content":{"rendered":"<h3><strong>Ronronar \u2013 O que sabemos afinal?<\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/LM_2-fb.jpg\" width=\"350\" height=\"350\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estamos habituados a associar o conhecido ronronar aos gatos e a interpret\u00e1-lo como um sinal de satisfa\u00e7\u00e3o e bem-estar. No entanto, os estudos revelam que tal comportamento abrange um espetro muito mais amplo de esp\u00e9cies, situa\u00e7\u00f5es e respetivas sensa\u00e7\u00f5es e que os objetivos\/fun\u00e7\u00f5es de tal ato ser\u00e3o muito variados e enigm\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Quais os animais que conseguem ronronar?<\/p>\n<p>Muitas fam\u00edlias de mam\u00edferos carn\u00edvoros produzem sons que poder\u00e3o ser equipar\u00e1veis ao ronronar, no entanto s\u00f3 as fam\u00edlias Felidae (felinos) e Viverridae (da qual faz parte a gineta) s\u00e3o autoras do verdadeiro ronrom, definido por v\u00e1rios autores como um zumbido suave criado por vibra\u00e7\u00f5es do trato respirat\u00f3rio superior, que varia ritmicamente com a respira\u00e7\u00e3o, aud\u00edvel e palp\u00e1vel. Mas n\u00e3o \u00e9 certo sequer que, mesmo dentro da fam\u00edlia Felidae, todos os felinos sejam capazes de ronronar!<br \/>\nNo in\u00edcio dos anos 90, os felinos foram divididos em dois grupos: os capazes de ronronar (Felinae) e os capazes de rosnar (Pantherinae &#8211; o le\u00e3o, o leopardo, o jaguar, o tigre, entre outros), restringindo-se estas esp\u00e9cies a esse som e n\u00e3o conseguindo produzir o outro. Mais tarde, por outro lado, foi sugerido que todos os Felidae ronronassem, mas que, em algumas esp\u00e9cies, tal som se limitasse apenas a felinos mais jovens e\/ou a f\u00eameas no estro, antes e durante a c\u00f3pula. Contudo, nenhuma destas propostas foi baseada num estudo detalhado de compara\u00e7\u00e3o interespec\u00edfica da vocaliza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o h\u00e1 atualmente informa\u00e7\u00f5es suficientes para concluir que estes n\u00e3o sejam capazes de ronronar.<br \/>\n Deste modo, os diferentes sons produzidos estar\u00e3o, de acordo com os autores, relacionados com diferen\u00e7as no aparelho hioide dos animais, mas n\u00e3o h\u00e1 an\u00e1lises cient\u00edficas que avaliem a verdadeira natureza do ronronar e as suas bases filogen\u00e9ticas, nem que clarifiquem a associa\u00e7\u00e3o de um aparelho hioide completamente ossificado a uma capacidade de ronronar, ou o contr\u00e1rio, quando este \u00e9 incompleto. <\/p>\n<p>Como \u00e9 produzido o ronronar?<\/p>\n<p>V\u00e1rias teorias foram apontadas para explicar este acontecimento.<br \/>\n Inicialmente, prop\u00f4s-se que o ronrom estivesse relacionado com a passagem do sangue pelos grandes vasos tor\u00e1cicos, o que se constatou n\u00e3o ser verdade. Mais tarde, associou-se tal som a vibra\u00e7\u00f5es do palato mole. Atualmente, a teoria mais suportada na comunidade cient\u00edfica relaciona o ronrom com a passagem de ar na laringe.<br \/>\nPensa-se, assim, que o ronronar resulte de uma ativa\u00e7\u00e3o altamente regular e alternante do diafragma e dos m\u00fasculos intr\u00ednsecos da laringe a uma frequ\u00eancia normal de 25x\/seg, durante a inspira\u00e7\u00e3o e expira\u00e7\u00e3o. Com efeito, a contra\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos lar\u00edngeos leva ao encerramento parcial das cordas vocais, da glote. Sucessivamente, estes relaxam e o diafragma contrai, sendo esta contra\u00e7\u00e3o acompanhada da entrada de ar, que faz as cordas vocais vibrarem, enquanto se abrem, aquando da n\u00e3o contra\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos lar\u00edngeos. Assim, surge o ronronar: o fluxo de ar modulado, associado a varia\u00e7\u00f5es de press\u00e3o do mesmo, que despoletam vibra\u00e7\u00f5es nas cordas vocais. O diafragma volta a relaxar e os m\u00fasculos lar\u00edngeos a contrair, ciclicamente. O processo \u00e9 repetido at\u00e9 a inspira\u00e7\u00e3o estar conclu\u00edda. A mesma sequ\u00eancia ocorre durante a expira\u00e7\u00e3o, mas o diafragma n\u00e3o contrai, pelo que a sa\u00edda de ar e consequente vibra\u00e7\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ada pelo retorno do pulm\u00e3o ao seu estado inicial.<br \/>\nCada ronrom \u00e9 \u00fanico, diferente de gato para gato e as suas frequ\u00eancias podem variar.<\/p>\n<p>Por que raz\u00f5es ronronam os animais?<\/p>\n<p>As raz\u00f5es pelas quais os gatos ronronam n\u00e3o s\u00e3o ainda totalmente claras e tal tem sido fonte das maiores d\u00favidas no que toca ao comportamento dos felinos, especialmente dos gatos dom\u00e9sticos.<br \/>\nOs estudos t\u00eam revelado que os gatos podem ronronar em todo o tipo de situa\u00e7\u00f5es e devido a variad\u00edssimos est\u00edmulos: desde momentos de satisfa\u00e7\u00e3o a contextos stressantes e de desconforto (a examina\u00e7\u00e3o pelo veterin\u00e1rio, o parto e, at\u00e9 casos extremos, como o per\u00edodo antes de morrer). Assim, ronronar, para al\u00e9m de demonstrar o bem-estar do animal, pode ser tamb\u00e9m um mecanismo despoletado para manter a calma em situa\u00e7\u00f5es adversas e gerir o desconforto e a dor.<br \/>\nPara al\u00e9m disso, os gatos podem ainda utilizar este ato como um m\u00e9todo de comunica\u00e7\u00e3o, em v\u00e1rias circunst\u00e2ncias. Ronronar poder\u00e1 ter, segundo v\u00e1rios estudiosos, a fun\u00e7\u00e3o de informar que o animal que o est\u00e1 a produzir n\u00e3o constitui uma amea\u00e7a; no caso das crias, incapazes inicialmente de ver e ouvir, aos 2 dias de idade estas podem come\u00e7ar a comunicar com a figura materna e os seus semelhantes da ninhada atrav\u00e9s do ronrom. Existe ainda um \u201cronronar de solicita\u00e7\u00e3o\u201d, com uma componente de maior frequ\u00eancia, associado a um \u201cmiar\u201d ou um \u201cchoro\u201d, que altera o ronronar relacionado com o prazer, por exemplo, para um som de car\u00e1cter mais \u201curgente\u201d. Tal mudan\u00e7a de frequ\u00eancia leva instintivamente o ser humano a querer ajudar e, tal como pretendido muitas vezes pelo felino, a aliment\u00e1-lo. Pensa-se que este ronrom seja entendido inconscientemente como se de um choro de um beb\u00e9 humano se tratasse, devido \u00e0s frequ\u00eancias semelhantes.<br \/>\nPor fim, recentemente, surgiu a teoria de que o ronrom tem um papel curativo.<br \/>\nEsta teoria baseia-se no facto de os gatos e de outros felinos, como o serval e o puma, ronronarem a uma frequ\u00eancia entre 25 e 150 Hz. Tal espetro de frequ\u00eancias, de acordo com alguns autores, abrange aquelas usadas em tratamentos com o objetivo de regenera\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, de fraturas e de feridas, de crescimento muscular, podendo tamb\u00e9m estar relacionados com a flexibilidade das articula\u00e7\u00f5es, com o al\u00edvio da dor, bem como com a diminui\u00e7\u00e3o do edema e de controlo da dispneia.<br \/>\nO ronrom ser\u00e1, deste modo, como que um mecanismo curativo interno que permitiria ao animal manter a densidade dos ossos e a firmeza muscular, durante os longos per\u00edodos de sedentarismo. No entanto, atualmente, esta \u00e9 apenas uma teoria, que carece de estudos demonstrativos.<br \/>\nEm suma, ronronar, e de acordo com o que se sabe at\u00e9 ao momento, pode estar associado a v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es, muito mais complexas e curiosas do que as conhecidas e comprovadas cientificamente.<\/p>\n<p>Bibliografia <\/p>\n<p>Peters, G. (2002). Purring and similar vocalizations in mammals. Mammal Review, 32(4), 245\u2013271. https:\/\/doi.org\/10.1046\/j.1365-2907.2002.00113.x <\/p>\n<p>Reece, W. O. (2009). Functional Anatomy and Physiology of Domestic Animals (4th ed.)<br \/>\nvon Muggenthaler, E. (2013). The felid purr: A healing mechanism? The Journal of the<br \/>\nAcoustical Society of America, 110(5), 2666\u20132666. https:\/\/doi.org\/10.1121\/1.4777098<\/p>\n<p>Royal Canin: https:\/\/www.royalcanin.pt\/o-ronrom<\/p>\n<p>Purina: https:\/\/www.purina.pt\/gatos\/comportamento-e-treino\/compreender-o-comportamento-dos-gatos\/porque-e-que-os-gatos-ronronam<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ronronar \u2013 O que sabemos afinal? &nbsp; Estamos habituados a associar o conhecido ronronar aos gatos e a interpret\u00e1-lo como um sinal de satisfa\u00e7\u00e3o e bem-estar. 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