{"id":4105,"date":"2019-11-18T15:26:55","date_gmt":"2019-11-18T15:26:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/?p=4105"},"modified":"2019-11-18T15:26:55","modified_gmt":"2019-11-18T15:26:55","slug":"stresse-e-burnout-na-medicina-veterinaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/2019\/11\/18\/stresse-e-burnout-na-medicina-veterinaria\/","title":{"rendered":"Stresse e burnout na Medicina Veterin\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<h3><strong>Stresse e burnout na Medicina Veterin\u00e1ria<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/LM3-fb.jpg\" width=\"350\" height=\"350\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A medicina veterin\u00e1ria \u00e9 uma \u00e1rea que se debate, diariamente, com n\u00edveis elevados de stresse, podendo estes culminar, caso n\u00e3o sejam bem geridos, em situa\u00e7\u00f5es de burnout e depress\u00e3o.<br \/>\nA elevada taxa de suic\u00eddio entre profissionais da Medicina Veterin\u00e1ria \u00e9 um problema alarmante, cujos n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o novidade, j\u00e1 que desde os anos 70 existe uma grande incid\u00eancia deste ato neste campo da sa\u00fade. Segundo estudos realizados pela Centers of Disease Control and Prevention (CDC), nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, o n\u00famero de suic\u00eddios entre profissionais da \u00e1rea apresentou-se significativo, quando comparado com outras profiss\u00f5es. Contabilizando n\u00fameros referentes a 36 anos, de 1979 at\u00e9 2015, relativamente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral, constatou-se que as m\u00e9dicas veterin\u00e1rias eram 3.5 vezes mais propensas a cometer suic\u00eddio, enquanto que m\u00e9dicos veterin\u00e1rios do sexo masculino seriam 2.1 vezes mais predispostos. J\u00e1 no Reino Unido, em 2008, o r\u00e1cio de mortalidade associada a suic\u00eddio dos m\u00e9dicos veterin\u00e1rios, comparativamente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o geral, foi apontado como sendo quatro vezes maior e, quanto \u00e0s outras profiss\u00f5es de sa\u00fade, duas vezes maior. Este complexo tema deve ser abordado, de modo minimizar o problema.<br \/>\nA verdade \u00e9 que as inter-rela\u00e7\u00f5es entre trabalho, personalidade e sa\u00fade mental est\u00e3o bem documentadas e muitos estudos t\u00eam sido realizados em rela\u00e7\u00e3o a profissionais de sa\u00fade, no entanto, no que toca \u00e0 medicina veterin\u00e1ria especificamente, t\u00eam sido apresentadas apenas observa\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es, escasseando investiga\u00e7\u00e3o para testar a sua veracidade. Deste modo, pouco se sabe acerca da magnitude das consequ\u00eancias negativas, dos fatores predisponentes e dos intervenientes decisivos para os veterin\u00e1rios. Contudo, t\u00eam sido referidas v\u00e1rias fontes de stresse, como as mencionadas de seguida.<br \/>\nNo dia-a-dia de um hospital veterin\u00e1rio, os profissionais s\u00e3o confrontados com in\u00fameros focos de elevado desgaste emocional: as longas horas de trabalho t\u00eam sido mencionadas na literatura como um fator preponderante, juntamente com uma elevada carga de trabalho, esta que, se associada a uma insatisfa\u00e7\u00e3o profissional, pode ser muito influente. A estes acresce o relacionamento com o cliente, uma vez que a gest\u00e3o emocional pode tornar-se ainda mais complicada se houver um conflito entre as suas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es\/expectativas e as dos tutores, sendo necess\u00e1rio um conjunto de t\u00e9cnicas comunicativas que permitam uma intera\u00e7\u00e3o adequada entre ambos. Somam-se, ainda, os problemas \u00e9ticos e o contacto com a eutan\u00e1sia. Se a morte medicamente assistida for referente a um animal com o qual j\u00e1 havia um v\u00ednculo, pode ser sin\u00f3nimo de sentimentos ambivalentes e de conflito emocional.  Press\u00f5es, talvez n\u00e3o da mesma natureza, mas semelhantes, acontecem em diversas \u00e1reas: tomando o exemplo da Inspe\u00e7\u00e3o Sanit\u00e1ria, surge a possibilidade de press\u00f5es econ\u00f3micas por parte de v\u00e1rias entidades. Assim, os m\u00e9dicos veterin\u00e1rios enfrentam situa\u00e7\u00f5es associadas a grandes n\u00edveis de desgaste, que se conjugam, nalguns casos, com um equil\u00edbrio fr\u00e1gil entre vida profissional e pessoal, numa maior ou menor incid\u00eancia consoante a \u00e1rea de trabalho.<br \/>\nAssim, podemos identificar 3 problemas relacionados com a pr\u00e1tica da medicina veterin\u00e1ria: o burnout, a compassion fatigue e o moral distress.<br \/>\nO Burnout \u00e9 um s\u00edndrome despoletado por um estado de exaust\u00e3o f\u00edsico e mental, associado a uma despersonaliza\u00e7\u00e3o, resultantes do exerc\u00edcio da atividade profissional em condi\u00e7\u00f5es que desencadeiam stresse cr\u00f3nico, este que o trabalhador \u00e9 incapaz de gerir eficazmente. Isto despoleta uma exaust\u00e3o emocional, com perda da capacidade de realiza\u00e7\u00e3o pessoal. A primeira fase do Burnout prende-se com a  necessidade que o indiv\u00edduo sente de provar o seu valor profissional, sendo este exigente consigo mesmo e perfeccionista. No que toca aos estadios seguintes, os sintomas, que variam de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo, incluem isolamento, frieza e irritabilidade, apatia, ins\u00f3nias, cefaleias e enxaquecas, fadiga, transtornos gastrointestinais, perdas de mem\u00f3ria, hipertens\u00e3o e taquicardia.<br \/>\nJ\u00e1 a Compassion Fatigue, por sua vez, \u00e9 caracter\u00edstica de profiss\u00f5es de sa\u00fade e prestadores de cuidados. Esta surge quando o profissional lida, diariamente, com pacientes em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es, em sofrimento, negligenciados e\/ou com patologias severas, o que gera sentimentos de compaix\u00e3o e empatia pelos mesmos. Com a exposi\u00e7\u00e3o repetida a este tipo de situa\u00e7\u00f5es, caso n\u00e3o existam estrat\u00e9gias de gest\u00e3o emocional eficazes, come\u00e7a a desenvolver-se uma incapacidade emocional de o fazer. Assim, o trabalho passa a ser feito de forma autom\u00e1tica, ap\u00e1tica.<br \/>\nNo que toca ao Moral Distress, este surge quando as a\u00e7\u00f5es do m\u00e9dico veterin\u00e1rio v\u00e3o contra os seus padr\u00f5es \u00e9ticos, s\u00e3o antag\u00f3nicas relativamente \u00e0quilo que o profissional acredita que deve ser feito. Isto acontece quando, embora o mesmo saiba quais as decis\u00f5es a tomar e como as p\u00f4r em pr\u00e1tica, n\u00e3o o pode fazer. As raz\u00f5es para esta incapacidade podem ser muitas: desde impedimentos financeiros, a aus\u00eancia de recursos humanos ou materiais,  do estabelecimento ou constrangimentos devido a regulamentos internos ou por parte da ger\u00eancia e, ainda, aus\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o ou conhecimento insuficiente.<br \/>\nNo que toca ao suic\u00eddio, v\u00e1rios s\u00e3o os fatores propostos para explicar as suas elevadas taxas entre estes profissionais. O m\u00e9dico veterin\u00e1rio e psicoterapeuta Michael Gaspar alerta para o facto de os n\u00fameros apontados n\u00e3o levarem \u00e0 conclus\u00e3o de que a profiss\u00e3o em si gera suic\u00eddio, j\u00e1 que este \u00e9 um problema multifacetado, mas a profiss\u00e3o poder\u00e1 ser um contributo. Uma revis\u00e3o (Bartram &#038; Baldwin, 2010) e um estudo do CDC (Center for Disease Prevention and Control), (E. Tomasi et al., 2019), apontam, entre outros, os seguintes fatores: <\/p>\n<p>\u2022 O acesso a meios em momentos prop\u00edcios pode ser o gatilho que influencia a transi\u00e7\u00e3o desse pensamento para a pr\u00e1tica. Os veterin\u00e1rios lidam com f\u00e1rmacos e conhecimento para os aplicar, o que poder\u00e1 consistir num fator para a alta taxa de suic\u00eddio, j\u00e1 que este \u00e9 um dos m\u00e9todos mais comuns entre estes profissionais;<br \/>\n\u2022 Para al\u00e9m disso, alguns estudos mostram associa\u00e7\u00f5es positivas entre veterin\u00e1rios e a toler\u00e2ncia para com o suic\u00eddio. De facto, os m\u00e9dicos veterin\u00e1rios s\u00e3o frequentemente respons\u00e1veis pelo t\u00e9rmino da vida de animais, por meio da eutan\u00e1sia ou do abate, tendo estes de discutir, justificar a legitimidade da a\u00e7\u00e3o e, por fim, aplic\u00e1-la. Ora, tais aspetos, associados \u00e0 possibilidade de experienciarem tens\u00f5es desconfort\u00e1veis, geradas pelo desejo de preservar a vida e a impossibilidade de tratar eficientemente o animal, poder\u00e3o ser um contributo, j\u00e1 que estas tens\u00f5es se poder\u00e3o tornar mais toler\u00e1veis se o veterin\u00e1rio adaptar a sua vis\u00e3o de preservar a vida \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de que a eutan\u00e1sia poder\u00e1 ser um desfecho positivo. No entanto, outros estudos t\u00eam vindo a desacreditar esta op\u00e7\u00e3o, mostrando que tal associa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 empiricamente comprov\u00e1vel (Kinnison, May &#038; Ogden, 2012);<br \/>\n\u2022 Podemos atentar ainda a fatores cognitivos e de personalidade. Os indiv\u00edduos t\u00eam uma prefer\u00eancia para certas profiss\u00f5es de acordo com a personalidade e as experi\u00eancias de vida. O estudo supranomeado avan\u00e7a a possibilidade das universidades de veterin\u00e1ria selecionarem estudantes com certos tra\u00e7os de personalidade, que aumentam o esse risco, como \u00e9 o caso do perfeccionismo. Acresce o facto de os veterin\u00e1rios poderem estar particularmente vulner\u00e1veis ao suic\u00eddio devido \u00e0 sele\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica baseada em requerimentos muito elevados (aplic\u00e1vel tamb\u00e9m a outras profiss\u00f5es de sa\u00fade), que levam a um ambiente escolar em que alguns questionam as suas capacidades e temem ter as suas fraquezas intelectuais expostas. Na verdade, inseguran\u00e7as destas predisp\u00f5em a problemas psicol\u00f3gicos, especialmente naqueles que n\u00e3o s\u00e3o capazes de se adaptar ou de se assegurar de que as suas expectativas s\u00e3o realistas. Em 2005, um estudo constatou que, no primeiro ano, alunos de medicina veterin\u00e1ria, numa escola dos Estados Unidos da Am\u00e9rica mostraram ter caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas consistentes com outros grupos de alta competi\u00e7\u00e3o, como atletas profissionais: apresentavam elevados n\u00edveis de ansiedade; davam grande valor a compara\u00e7\u00f5es com os seus pares e temiam bastante a possibilidade de falhar (Zenner and others 2005). O perfeccionismo imposto pela sociedade (isto \u00e9, a cren\u00e7a individual de que os outros t\u00eam expectativas irrealistas e exageradas, que precisamos de alcan\u00e7ar para que sejamos aceites), a autocr\u00edtica, a preocupa\u00e7\u00e3o relativa aos erros e as d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s a\u00e7\u00f5es t\u00eam sido associados com suic\u00eddio (O\u2019Connor 2007). Al\u00e9m disso, um dos fatores mais stressantes, no caso dos estudantes \u00e9 o enorme volume de mat\u00e9ria abordada no curso, em fun\u00e7\u00e3o da velocidade com que t\u00eam de a assimilar.<br \/>\n\u2022 As taxas de suic\u00eddio s\u00e3o tamb\u00e9m influenciadas pelo g\u00e9nero dos profissionais, sendo que, como j\u00e1 dito, na medicina veterin\u00e1ria, a taxa de suic\u00eddio em mulheres \u00e9 mais alta do que em homens, contrastando com a popula\u00e7\u00e3o geral, em que a taxa \u00e9 tr\u00eas vezes superior no sexo masculino. Na medicina humana, verifica-se a mesma tend\u00eancia que na veterin\u00e1ria. Outros autores afirmam que esta tend\u00eancia verificada na veterin\u00e1ria pode ser devido a uma maior empatia emocional das m\u00e9dicas veterin\u00e1rias (Paul and Podberscek 2000), assim como uma maior preocupa\u00e7\u00e3o com o bem-estar animal (Serpell 2005) e com a liga\u00e7\u00e3o tutor-animal (Martin and Taunton 2005) e as repercuss\u00f5es da doen\u00e7a e da perda nestas rela\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u2022 Como fatores relacionados com o trabalho podem apontar-se os seguintes: os dias de trabalho complicados; a necessidade da pr\u00e1tica da eutan\u00e1sia; o facto de terem de comunicar not\u00edcias desagrad\u00e1veis; de lidarem com expectativas e queixas de clientes; de enfrentarem o aumento nos custos dos cuidados veterin\u00e1rios; de serem submetidos a uma elevada carga de trabalho, assim como a longas horas do mesmo; a poss\u00edvel incapacidade para lidar com a responsabilidade do cargo que desempenham; um r\u00e1cio d\u00edvida\/rendimento educacional crescente; o fraco balan\u00e7o entre vida pessoal e trabalho e o poss\u00edvel burnout;<br \/>\n\u2022 Por fim, infelizmente, ainda nos debatemos com um elevado estigma relativo \u00e0s doen\u00e7as mentais. Este estigma \u00e9 magnificado pelo facto de a medicina veterin\u00e1ria ser uma profiss\u00e3o em que n\u00e3o s\u00e3o aceites vulnerabilidades, o que impede, muitas vezes, a procura de ajuda por parte dos profissionais. Segundo Gaspar, os profissionais de sa\u00fade tendem a resistir em pedir ajuda, porque consideram isso uma fraqueza. <\/p>\n<p>Em Portugal escasseiam os dados relativos \u00e0 dimens\u00e3o da problem\u00e1tica do stresse e do suic\u00eddio na profiss\u00e3o. Tendo em conta que as altera\u00e7\u00f5es na mesma ao longo dos tempos (associadas \u00e0 crise ou relacionadas com exig\u00eancias sociais), bem como o aumento da responsabilidade e carga de trabalho dos veterin\u00e1rios em todas as \u00e1reas tenderam a contribuir para o desgaste profissional, a inexist\u00eancia de dados no nosso pa\u00eds torna-se descabida. Dada a pertin\u00eancia da problem\u00e1tica, veterin\u00e1rios e psic\u00f3logos (Dr. Gon\u00e7alo da Gra\u00e7a Pereira; Dra. S\u00f3nia Ramalho, Dr. Jorge Oliveira e Dr. Diogo Morais), com o apoio da Veterin\u00e1ria Atual, iniciaram o desenvolvimento de um estudo com o objetivo de procurar esclarecer os fatores de risco e analisar simultaneamente a satisfa\u00e7\u00e3o e o desgaste profissional da classe veterin\u00e1ria. Os resultados do estudo ainda n\u00e3o foram oficialmente divulgados, no entanto, o Dr. Gon\u00e7alo da Gra\u00e7a Pereira menciona os valores como &#8220;preocupantes&#8221; e acrescenta: &#8220;Somos uma classe que n\u00e3o est\u00e1 sequer preparada para identificar os sinais de depress\u00e3o e de desgaste profissional&#8221;. O ensaio mostra ainda a necessidade de estudos complementares, possivelmente a n\u00edvel europeu, com diferentes especialistas, para que haja uma compara\u00e7\u00e3o que permita a identifica\u00e7\u00e3o dos profissionais que necessitam de um maior apoio psicol\u00f3gico e maior treino de t\u00e9cnicas que lhes permitam suportar a sua sa\u00fade mental.<br \/>\nPoder-se-\u00e1 falar de um estudo semelhante, em Espanha, com uma amostra de 932 veterin\u00e1rios (dos quais, 73,6% do sexo feminino), com uma m\u00e9dia de idades de 33,11; em que 22,7% tinha filhos; a maioria (86,2%) trabalhava a tempo inteiro, 35,8% trabalhava em turnos e 65,5% trabalhava em servi\u00e7os de emerg\u00eancia. Os resultados do mesmo focaram-se na depress\u00e3o. Assim, de acordo com a DASS (Depression, Anxiety, and Stress Scale) 40,3% da amostra apresentou valores leves a severos de depress\u00e3o, enquanto 11,1% mostrou padecer de valores severos ou muito severos. Quanto aos fatores analisados, os veterin\u00e1rios com filhos mostraram apresentar n\u00edveis significativamente mais baixos de depress\u00e3o, comparativamente com os que n\u00e3o tinham. J\u00e1 a idade, o estado civil, o trabalho em turnos, servi\u00e7os de emerg\u00eancia e regime de trabalho aparentaram n\u00e3o ser fatores. Concluiu-se os m\u00e9dicos veterin\u00e1rios mostraram alta preval\u00eancia de depress\u00e3o quando comparados com a popula\u00e7\u00e3o espanhola (8,56%), embora n\u00e3o se possa fazer uma compara\u00e7\u00e3o direta, j\u00e1 que o DASS n\u00e3o foi usado para diagn\u00f3stico cl\u00ednico.<br \/>\nAtentando ao supracitado, dado que o stresse ocupacional pode originar problemas graves a qualquer profissional, nas \u00faltimas d\u00e9cadas tem-se dedicado bastante aten\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento de estrat\u00e9gias de \u201ccuidar do cuidador\u201d. T\u00eam sido sugeridas v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es de forma a reduzir o stresse inerente a esta profiss\u00e3o, desde institui\u00e7\u00f5es criadas para ouvir e lidar com veterin\u00e1rios em situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, at\u00e9 \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de horas de trabalho, melhoramento das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e um maior apoio garantido a profissionais jovens, de forma a que possam desenvolver a sua maturidade emocional para gerir tais problemas. Pa\u00edses como o Reino Unido e EUA apresentam-se na vanguarda destas estrat\u00e9gias, estando nesses pa\u00edses mais desenvolvidas as plataformas de apoio, que, por exemplo, desenvolvem semin\u00e1rios sobre stresse, burnout e t\u00e9cnicas de gest\u00e3o da ansiedade para lidar com o problema.<br \/>\nSegundo Miller (JAVMA News, 2004), algumas estrat\u00e9gias para gest\u00e3o de stresse associadas \u00e0 pr\u00e1tica da veterin\u00e1ria ser\u00e3o as seguintes:<\/p>\n<p>\u2022 Cuidar de si pr\u00f3prio; divertir-se regularmente; passar tempo na natureza; encontrar uma t\u00e9cnica de relaxamento que resulte para cada indiv\u00edduo;<br \/>\n\u2022 Mudar a atitude de como olha para os motivos de stresse;<br \/>\n\u2022 Rodear-se de pessoas positivas e encorajadoras;<br \/>\n\u2022 Organizar encontros de staff para discutir preocupa\u00e7\u00f5es e sentimentos;<br \/>\n\u2022 Reavaliar os limites que foram desenvolvidos com os clientes;<br \/>\n\u2022 Permitir-se o luto pela perda de um paciente;<br \/>\n\u2022 Saber quando precisa de pedir ajuda \u2013 todos experienciamos frustra\u00e7\u00e3o ou cansa\u00e7o em certas ocasi\u00f5es! &#8211; e, se procurar ajuda, optar por um t\u00e9cnico de sa\u00fade mental com conhecimento sobre<br \/>\n  compassion fatigue, preferencialmente familiarizado com a classe veterin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ainda em 2017, o CDC publicou o Preventing Suicide: A Technical Package of Policy, Programs, and Practices, um conjunto de estrat\u00e9gias e m\u00e9todos baseados nas evid\u00eancias dispon\u00edveis, que incluem o ensino de capacidades para lidar e resolver os problemas e ainda para identificar e apoiar pessoas em risco. Na verdade, este recurso poder\u00e1 tamb\u00e9m ajudar as v\u00e1rias entidades no campo da medicina veterin\u00e1ria a tomar decis\u00f5es acerca de atividades relativas \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e ao estabelecimento de prioridades na profiss\u00e3o.<br \/>\nEm Portugal surgiu o projeto \u201cMente S\u00e3, Vet S\u00e3o\u201d, fruto de uma parceria entre a enfermeira veterin\u00e1ria Mar\u00edlia Domingos e o Centro para o Conhecimento Animal. Uma plataforma \u00e0 qual se pode aceder atrav\u00e9s do facebook, que pretende disponibilizar apoio, recursos e informa\u00e7\u00e3o aos profissionais que se confrontem com algum problema na pr\u00e1tica cl\u00ednica, que possam estar a enfrentar uma situa\u00e7\u00e3o de Burnout ou Compassion Fatigue. Este projeto pretende fomentar a partilha e discuss\u00e3o, anular os tabus e desmistificar os problemas.<br \/>\nEm conclus\u00e3o, \u00e9 importante que consigamos olhar para a medicina veterin\u00e1ria como uma profiss\u00e3o de elevado desgaste, de modo a que se possa agir consoante este estatuto e, tamb\u00e9m, sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o em geral, gerando uma maior compreens\u00e3o por parte de clientes\/tutores. Por exemplo, seria muito vantajoso se se come\u00e7asse a abordar as quest\u00f5es da sa\u00fade mental ainda dentro do percurso acad\u00e9mico dos estudantes. \u00c9 fulcral abandonar os tabus e criar um clima de completa compreens\u00e3o e apoio, para que m\u00e9dicos, enfermeiros e estudantes da \u00e1rea da Medicina Veterin\u00e1ria consigam lidar com os problemas, procurando ajuda sem limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Bartram, D., &#038; Baldwin, D. (2010). Veterinary surgeons and suicide: a structured review of possible influences on increased risk. Veterinary Record, 166(13), 388-397. doi:10.1136\/vr.b4794<\/p>\n<p>Kinnison, M., May, S., &#038; Ogden, U. (2012). Attitudes to animal euthanasia do not correlate with acceptance of human euthanasia or suicide. The Veterinary Record.<\/p>\n<p>Why Is the Suicide Rate Among Vets So High?. (2017). Vice. Available at: https:\/\/www.vice.com\/en_uk\/article\/xyk4xd\/why-is-the-suicide-rate-among-vets-so-high<\/p>\n<p>Gonz\u00e1lez-Mart\u00ednez, \u00c1., Morais, D., Di\u00e9guez Casalta, F. and Da Gra\u00e7a Pereira, G. (2017). Prevalence of Depression in Spanish Veterinarians. Available at: http:\/\/www.ecawbm.com\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/ECAWBM-Congress-Proceedings-IVBM-Slovakia-2017-AWSEL-Stream-Slovakia-Valerie-Jonckheer-Sheehy.pdf<\/p>\n<p>Domingos, M. (2018). Mente s\u00e3, veterin\u00e1rio s\u00e3o &#8211; Cuidar de quem cuida &#8211; Veterinaria Atual. [online] Veterinaria Atual. Available at: https:\/\/www.veterinaria-atual.pt\/na-clinica\/mente-sa-veterinario-sao-cuidar-de-quem-cuida\/<\/p>\n<p>Lau, E. (2018). CDC study validates concerns about veterinary suicides. News.vin.com.<br \/>\nhttps:\/\/news.vin.com\/VINNews.aspx?articleId=51532<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Stresse e burnout na Medicina Veterin\u00e1ria &nbsp; A medicina veterin\u00e1ria \u00e9 uma \u00e1rea que se debate, diariamente, com n\u00edveis elevados de stresse, podendo estes culminar, caso n\u00e3o sejam bem geridos, em situa\u00e7\u00f5es de burnout e depress\u00e3o. A elevada taxa de suic\u00eddio entre profissionais da Medicina Veterin\u00e1ria \u00e9 um problema alarmante, cujos n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o novidade, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4105"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4105"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4105\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4106,"href":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4105\/revisions\/4106"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}