{"id":4422,"date":"2020-05-20T17:19:59","date_gmt":"2020-05-20T16:19:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/?p=4422"},"modified":"2020-05-20T17:39:21","modified_gmt":"2020-05-20T16:39:21","slug":"desafios-dos-novos-animais-de-companhia-bem-estar-impactos-na-saude-humana-e-na-sustentabilidade-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/2020\/05\/20\/desafios-dos-novos-animais-de-companhia-bem-estar-impactos-na-saude-humana-e-na-sustentabilidade-ambiental\/","title":{"rendered":"Desafios dos novos animais de companhia: bem-estar, impactos na sa\u00fade humana e na sustentabilidade ambiental"},"content":{"rendered":"<h3><strong><\/strong>Desafios dos novos animais de companhia: bem-estar, impactos na sa\u00fade humana e na sustentabilidade ambiental<\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/LM_32_FB.jpg\" width=\"350\" height=\"350\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora existam diferentes defini\u00e7\u00f5es de animais ex\u00f3ticos, numa perspetiva geral, estes s\u00e3o animais n\u00e3o-nativos e\/ou n\u00e3o domesticados, mantidos em cativeiro. A captura destes animais \u00e9 praticada h\u00e1 mil\u00e9nios, no entanto, atualmente, existe mais preocupa\u00e7\u00e3o e legisla\u00e7\u00e3o quanto ao maneio, m\u00e9todos de captura e aten\u00e7\u00e3o relativamente ao seu bem-estar e ao seu impacto no meio ambiente.<br \/>\nPara compreender a import\u00e2ncia e o impacto destes novos animais de companhia \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer que a procura tem feito elevar os n\u00fameros de esp\u00e9cies capturadas e vendidas. Nos Estados Unidos, entre 2000 e 2013, deram entrada 11 bili\u00f5es de esp\u00e9cimes, sendo que globalmente, este n\u00famero \u00e9 representativo do que o mercado movimenta anualmente. Na Uni\u00e3o Europeia, em 2014, estimava-se que houvesse mais de 240 milh\u00f5es de animais de estima\u00e7\u00e3o. Destes, no que toca a animais ex\u00f3ticos (neste caso, todos os n\u00e3o correspondentes a c\u00e3es, gatos e equinos), estes corresponderiam a uma percentagem entre 34 e 64%, dependendo do pa\u00eds. Com o passar dos anos, v\u00e1rias novas esp\u00e9cies foram sendo apresentadas, levando a que o consumidor fosse exigindo ainda mais diversidade. Em 2003 foram identificadas 1000 esp\u00e9cies comercializadas mundialmente, no entanto, estudos mais recentes realizados em 2016 e 2017 demonstram um n\u00famero significativamente maior, tendo sido registadas como comercializadas 4000 esp\u00e9cies de peixes ornamentais de \u00e1gua doce e 2000 esp\u00e9cies de peixes de \u00e1gua salgada. Num estudo da Birdlife International em 2017, foram identificadas 4000 esp\u00e9cies de aves capturadas e posteriormente comercializadas.<br \/>\nA deten\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de novos animais de companhia por entidades privadas levanta v\u00e1rias quest\u00f5es: quanto ao seu bem-estar e seguran\u00e7a (relacionados com m\u00e9todos de captura, venda e manuten\u00e7\u00e3o em terr\u00e1rios\/viveiros em ambiente dom\u00e9stico); relativos \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade (desde a sua retirada do ambiente de origem at\u00e9 \u00e0 poss\u00edvel liberta\u00e7\u00e3o em novos ecossistemas), e, ainda, ao risco para o ser humano, tendo impactos na sa\u00fade p\u00fablica: alguns s\u00e3o riscos comuns a todos os animais de companhia, outros mais espec\u00edficos destas esp\u00e9cies. Trata-se, deste modo, de um assunto controverso, frequentemente criticado.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Com\u00e9rcio e sustentabilidade ambiental<\/strong><\/p>\n<p>A captura e com\u00e9rcio de esp\u00e9cies selvagens internacional geram diferentes problemas. Com o aumento da procura de animais ex\u00f3ticos, mais animais foram capturados e, com isto, houve diferentes riscos de bem-estar em todos os n\u00edveis da cadeia de produ\u00e7\u00e3o: a captura em si, o seu confinamento at\u00e9 ao transporte e este \u00faltimo.<br \/>\nUma das grandes desvantagens da introdu\u00e7\u00e3o destas esp\u00e9cies no dia-a-dia prende-se com o facto de, em situa\u00e7\u00f5es de abandono, poderemos estar a introduzir uma nova esp\u00e9cie num ecossistema n\u00e3o preparado para esta. Esp\u00e9cies invasoras introduzem impactos negativos nos ecossistemas que os recebem, tais como preda\u00e7\u00e3o, competi\u00e7\u00e3o, hibridiza\u00e7\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o de novos agentes patog\u00e9nicos no ambiente. O com\u00e9rcio destas esp\u00e9cies \u00e9 uma fonte importante de introdu\u00e7\u00e3o de novas patologias no ambiente, o que deve ser tido em considera\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Impacto para o ser humano e sa\u00fade p\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p>Relativamente aos pr\u00f3s, um animal de companhia traz benef\u00edcios claros para o bem-estar humano, promovendo a sa\u00fade psicol\u00f3gica, f\u00edsica e mental. E, embora se possa pensar que este impacto seja s\u00f3 relativo a animais com um valor interactivo alto, como c\u00e3es, foi comprovado que possuir animais n\u00e3o interactivos ou com uma baixa capacidade de intera\u00e7\u00e3o pode tamb\u00e9m melhorar a sa\u00fade geral do tutor. Existem, ainda, evid\u00eancias de que a manuten\u00e7\u00e3o destas esp\u00e9cies em cativeiro pode ajudar a melhor compreender o seu comportamento e mesmo o seu papel na dissemina\u00e7\u00e3o de certas doen\u00e7as em ambiente selvagem.<br \/>\nNo entanto, n\u00e3o deixa de ter as suas desvantagens. Os animais ex\u00f3ticos est\u00e3o, normalmente, menos domesticados do que o c\u00e3o ou o gato, culminando tal facto em certos comportamentos mais agressivos. Por exemplo, existem v\u00e1rios epis\u00f3dios documentados de ataques por serpentes de maiores dimens\u00f5es aos seus tutores. Outro aspecto de salientar \u00e9 a possibilidade de transmiss\u00e3o e papel como reservat\u00f3rio de doen\u00e7as, algumas zoon\u00f3ticas. As principais amea\u00e7as s\u00e3o de origem viral e bacteriana, assim como ectoparasitas. Cerca de 0.95% dos casos de salmonelose s\u00e3o atribu\u00eddos a transmiss\u00e3o atrav\u00e9s de r\u00e9pteis de estima\u00e7\u00e3o, normalmente mais comum em crian\u00e7as ou jovens adolescentes (dados referentes ao Reino Unido).<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Maneio<\/strong><\/p>\n<p>Um dos par\u00e2metros que devemos procurar melhorar \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o do bem-estar nestes animais de estima\u00e7\u00e3o. Um maior conhecimento dos seus comportamentos, das suas necessidades nutricionais e sociais podem levar a uma melhor habitua\u00e7\u00e3o ao maneio pelos tutores e a uma preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, gerando uma maior longevidade destes animais.<br \/>\nOs problemas como seu bem-estar s\u00e3o normalmente separados em duas categorias diferentes: os relacionados com a deten\u00e7\u00e3o individual dos mesmos e os associados ao com\u00e9rcio internacional e correspondente transporte.<br \/>\nA manuten\u00e7\u00e3o em cativeiro de novas esp\u00e9cies tem revelado o pouco conhecimento que t\u00ednhamos quanto \u00e0s suas necessidades. O j\u00e1 referido aumento de variedade de novos animais de companhia representa um problema relativamente \u00e0 sua correta manuten\u00e7\u00e3o em ambiente dom\u00e9stico, uma vez que para muitas destas esp\u00e9cies n\u00e3o existe muita informa\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel e confirmada dos seus h\u00e1bitos e necessidades. Um dos grandes defeitos deste aumento de captura \u00e9, tamb\u00e9m, a incorreta caracteriza\u00e7\u00e3o e denomina\u00e7\u00e3o dada a alguns destes animais, sendo que o consumidor normalmente n\u00e3o est\u00e1 suficientemente informado para discernir se adquiriu a esp\u00e9cie correta.<br \/>\nO desconhecimento de como manter e garantir condi\u00e7\u00f5es apropriadas a estes animais, leva a n\u00fameros deveras preocupantes de taxa de mortalidade, sendo que em r\u00e9pteis esta pode atingir 75% (Toland et all, 2017) e 90% em peixes de aqu\u00e1rio (Toland et all, ainda n\u00e3o publicado). Num estudo realizado em 2016, foram reconhecidos v\u00e1rios casos compat\u00edveis com depress\u00e3o, ansiedade, aborrecimento, frustra\u00e7\u00e3o e medo em animais ex\u00f3ticos de estima\u00e7\u00e3o, associados aos m\u00e9todos de conserva\u00e7\u00e3o utilizados pelos seus tutores.<br \/>\nNo entanto, ao contr\u00e1rio do que \u00e9 pensado, pequenos animais como coelhos e porquinhos da \u00cdndia necessitam de grande aten\u00e7\u00e3o e cuidados especiais. Os r\u00e9pteis s\u00e3o tamb\u00e9m animais com um elevado custo de manuten\u00e7\u00e3o e com necessidade de cuidados especiais para uma vida longa e saud\u00e1vel, mas demonstraram-se mais compat\u00edveis com a domestica\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 explicado pelo f\u00e1cil acesso a informa\u00e7\u00f5es de como os manter. H\u00e1 autores que, apesar disso, defendem que a sua utiliza\u00e7\u00e3o como animais de estima\u00e7\u00e3o levanta barreias \u00e9ticas, j\u00e1 que estes t\u00eam necessidade de constante estimula\u00e7\u00e3o. Cerca de 21% dos r\u00e9pteis e quel\u00f3nios apresentados a consulta na Universidade de Ghent em 2013 demonstravam sinais cl\u00ednicos de patologias relacionadas com mau maneio, tais como Doen\u00e7a \u00d3ssea Metab\u00f3lica (MBD). S\u00e3o ainda apontados outros problemas, relacionados com fontes de calor desprotegidas, humidade incorreta, obesidade e habita\u00e7\u00e3o inapropriada.<br \/>\nJ. Webster, em 1994, prop\u00f4s um sistema para avalia\u00e7\u00e3o de bem-estar animal denominado de \u201cFive Freedoms\u201d em que estipulava 5 formas de o caracterizar, sendo estas:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1.Livre de fome e sede \u2013 permitindo r\u00e1pido e livre acesso a fontes de \u00e1gua e a uma dieta que lhe permita manter saud\u00e1vel, espec\u00edfica para cada esp\u00e9cie<br \/>\n2.Livre de desconforto \u2013 providenciando um ambiente apropriado, incluindo abrigo e \u00e1reas de descanso<br \/>\n3.Livre de dor, les\u00f5es e doen\u00e7as \u2013 medidas preventivas e assegurar que s\u00e3o rapidamente vistos e diagnosticados, caso necessitem<br \/>\n4.Liberdade de expressar o seu comportamento \u2013 dando espa\u00e7o suficiente, instala\u00e7\u00f5es corretas e companhia<br \/>\n5.Livre de medo e stress<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estas 5 regras s\u00e3o ainda utilizadas atualmente, no entanto, surgem as, denominadas \u201cFive Welfare Needs (FWNs)\u201d, que tentam tornar mais claras estas regras.<br \/>\nCom o avan\u00e7ar dos anos, v\u00e1rios modelos foram criados, com o objetivo de estabelecer a sustentabilidade de domesticar\/adotar novos animais. O sistema atualmente mais reconhecido \u00e9 conhecido por EMODE, que categoriza novos animais de estima\u00e7\u00e3o como f\u00e1ceis, moderados e complicados, considerando a sua capacidade de adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente dom\u00e9stico. Este sistema de categoriza\u00e7\u00e3o permite facilitar a escolha por parte de um tutor de escolher um animal de estima\u00e7\u00e3o tendo em conta a sua capacidade de adapta\u00e7\u00e3o a este, criando menos lacunas no bem-estar destes animais.<br \/>\nPara al\u00e9m do referido, os detentores destes animais devem procurar aconselhamento por parte de um m\u00e9dico veterin\u00e1rio familiar com as esp\u00e9cies, sobre os cuidados a ter, necessidades de alojamento, nutri\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o destas esp\u00e9cies.<br \/>\nT\u00eam sido tomadas medidas a n\u00edvel europeu de forma a legislar e regulamentar as esp\u00e9cies permitidas como animais de estima\u00e7\u00e3o, sendo que em alguns pa\u00edses, como, por exemplo, em Fran\u00e7a, \u00e9 agora necess\u00e1rio um certificado de aptid\u00e3o como tutor de um destes animais. Infelizmente, muitas destas medidas pecam por falta de contexto\/evid\u00eancia.<br \/>\nEm suma, est\u00e1 comprovado que a introdu\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies tem as suas vantagens, no entanto, \u00e9 necess\u00e1rio uma melhor regulamenta\u00e7\u00e3o a n\u00edvel mundial e um melhor controlo na introdu\u00e7\u00e3o e venda de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas nos v\u00e1rios pa\u00edses. A manuten\u00e7\u00e3o destes animais em cativeiro deve ser precedida e seguida duma melhor educa\u00e7\u00e3o\/forma\u00e7\u00e3o dos tutores (como, por exemplo, atrav\u00e9s do sistema de certifica\u00e7\u00e3o de apet\u00eancia), de modo a podermos garantir qualidade de vida a estas esp\u00e9cies. \u00c9 tamb\u00e9m necess\u00e1ria a introdu\u00e7\u00e3o de medidas de controlo sanit\u00e1rio deste com\u00e9rcio. Quando os interesses dos animais s\u00e3o afrontados pelo homem, os veterin\u00e1rios t\u00eam o indispens\u00e1vel papel de atuar termos cl\u00ednicos, mas, ainda mais importante, de potenciar o debate \u00e9tico e agir como advogados do bem-estar animal.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Refer\u00eancias:<\/strong><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Exotic pets: is there a problem?. (2013). Veterinary Record, 173(22), 537-538. doi: 10.1136\/vr.f7166<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPasmans, F., Bogaerts, S., Braeckman, J., Cunningham, A., Hellebuyck, T., &#038; Griffiths, R. et al. (2017). Future of keeping pet reptiles and amphibians: towards integrating animal welfare, human health and environmental sustainability. Veterinary Record, 181(17), 450-450. doi: 10.1136\/vr.104296<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nWarwick, C., Steedman, C., Jessop, M., Arena, P., Pilny, A., &#038; Nicholas, E. (2018). Exotic pet suitability: Understanding some problems and using a labeling system to aid animal welfare, environment, and consumer protection. Journal Of Veterinary Behavior, 26, 17-26. doi: 10.1016\/j.jveb.2018.03.015<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desafios dos novos animais de companhia: bem-estar, impactos na sa\u00fade humana e na sustentabilidade ambiental &nbsp; Embora existam diferentes defini\u00e7\u00f5es de animais ex\u00f3ticos, numa perspetiva geral, estes s\u00e3o animais n\u00e3o-nativos e\/ou n\u00e3o domesticados, mantidos em cativeiro. 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