{"id":6158,"date":"2023-04-29T07:36:58","date_gmt":"2023-04-29T06:36:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/?p=6158"},"modified":"2023-04-29T07:36:58","modified_gmt":"2023-04-29T06:36:58","slug":"emergencias-reprodutivas-em-bovinos-prolapso-uterino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/2023\/04\/29\/emergencias-reprodutivas-em-bovinos-prolapso-uterino\/","title":{"rendered":"Emerg\u00eancias reprodutivas em bovinos: Prolapso uterino"},"content":{"rendered":"<h3>Emerg\u00eancias reprodutivas em bovinos: Prolapso uterino<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/AMB_PT_Articles_Nicole-Costa_Apr2023-300x300.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-6159\" srcset=\"https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/AMB_PT_Articles_Nicole-Costa_Apr2023-300x300.png 300w, https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/AMB_PT_Articles_Nicole-Costa_Apr2023-150x150.png 150w, https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/AMB_PT_Articles_Nicole-Costa_Apr2023-768x768.png 768w, https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/AMB_PT_Articles_Nicole-Costa_Apr2023-1024x1024.png 1024w, https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/AMB_PT_Articles_Nicole-Costa_Apr2023-830x830.png 830w, https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/AMB_PT_Articles_Nicole-Costa_Apr2023-230x230.png 230w, https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/AMB_PT_Articles_Nicole-Costa_Apr2023-350x350.png 350w, https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/AMB_PT_Articles_Nicole-Costa_Apr2023-480x480.png 480w, https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/AMB_PT_Articles_Nicole-Costa_Apr2023-24x24.png 24w, https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/AMB_PT_Articles_Nicole-Costa_Apr2023-36x36.png 36w, https:\/\/www.improveinternational.com\/ambassador\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/AMB_PT_Articles_Nicole-Costa_Apr2023-48x48.png 48w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p><strong>O que \u00e9 e como se desenvolve um prolapso uterino?<\/strong><br \/>\nNos bovinos, o prolapso uterino \u00e9 caracterizado como a exterioriza\u00e7\u00e3o do \u00fatero atrav\u00e9s do canal vaginal durante ou ap\u00f3s a terceira fase do parto (expuls\u00e3o do vitelo). Quando presente, a superf\u00edcie do endom\u00e9trio e o sistema vascular do \u00fatero ficam expostos ao ambiente podendo surgir infe\u00e7\u00e3o e gangrena. Este dist\u00farbio reprodutivo afeta principalmente bovinos e pequenos ruminantes e apresenta uma preval\u00eancia mundial de 0,2 a 0,9% em bovinos de leite. Normalmente, o prolapso surge nas primeiras duas horas ap\u00f3s o parto quando os cotil\u00e9dones fetais se separam das car\u00fanculas maternas. De acordo com alguns autores, o desenvolvimento de prolapso uterino apresenta sazonalidade, sendo mais comum durante o outono e inverno. Demonstra tamb\u00e9m maior incid\u00eancia em bovinos de leite, mais concretamente nas vacas mult\u00edparas, confinadas e alimentadas em excesso.<\/p>\n<p>Atualmente, a etiologia deste dist\u00farbio reprodutivo permanece desconhecida, embora se saiba que tem origem multifatorial. Pensa-se que o principal fator da ocorr\u00eancia de prolapsos uterinos esteja relacionado com a aus\u00eancia de contra\u00e7\u00f5es uterinas (atonia uterina).<br \/>\nFatores predisponentes incluem: Estrog\u00e9nios no pasto; Dec\u00fabito prolongado; Inercia uterina; Condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas extremas; Hipertrofia fetal; Desnutri\u00e7\u00e3o (d\u00e9fice de Ca, PO\u2084\u00b3\u207b, Mg); Distocia; Obesidade; Tra\u00e7\u00e3o excessiva do feto; Tenesmo; Reten\u00e7\u00e3o das membranas fetais; Confinamento.<\/p>\n<p><strong>Sinais cl\u00ednicos <\/strong><br \/>\nOs sinais cl\u00ednicos evidenciados por bovinos com prolapso uterino s\u00e3o caracter\u00edsticos. Normalmente as vacas apresentam-se em dec\u00fabito lateral e a ocorr\u00eancia de timpanismo ruminal \u00e9 elevada. No entanto, menos frequente tamb\u00e9m se observa vacas em esta\u00e7\u00e3o onde \u00e9 poss\u00edvel ver a evers\u00e3o do \u00fatero at\u00e9 aos jarretes. As complica\u00e7\u00f5es que podem resultar do prolapso uterino s\u00e3o toxemia; septicemia; hemorragia que surge como resultado da rutura do mesovario e da art\u00e9ria ovariana; rutura do \u00fatero e subsequente rotura da bexiga ou do intestino; metrite puerperal e peritonite. Os bovinos que experienciaram prolapso uterino, apresentam diminui\u00e7\u00e3o da fertilidade e da vida \u00fatil, assim como aumento da dura\u00e7\u00e3o do parto e dos intervalos entre partos.<\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico<\/strong><br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel diferencial o prolapso uterino de um prolapso vaginal pelo volume do \u00f3rg\u00e3o exteriorizado e a evidencia das car\u00fanculas maternas. O diagn\u00f3stico definitivo \u00e9 baseado fundamentalmente nos sinais cl\u00ednicos e atrav\u00e9s da inspe\u00e7\u00e3o das estruturas uterinas e dos anexos placent\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Tratamento<\/strong><br \/>\nA corre\u00e7\u00e3o do prolapso implica recoloca\u00e7\u00e3o uterina em sua posi\u00e7\u00e3o anat\u00f3mica normal. Previamente \u00e0 chegada do medico veterin\u00e1rio, o produtor deve ser aconselhado em realizar a conten\u00e7\u00e3o da vaca e a envolver o \u00fatero desta com uma toalha ou len\u00e7ol h\u00famido para evitar contamina\u00e7\u00e3o ambiental e trauma uterino. Em seguida \u00e9 administrado um analg\u00e9sico, anestesia por via epidural (lidoca\u00edna a 2% na dose 1mL\/100kgPV) para evitar contra\u00e7\u00f5es abdominais, e se necess\u00e1rio um sedativo. Idealmente a vaca deve estar em esta\u00e7\u00e3o, mas quando n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, deve ser posicionada em dec\u00fabito esternal com ambos os membros posteriores estendidos caudalmente. Vacas em esta\u00e7\u00e3o apresentam melhor progn\u00f3stico do que as vacas em dec\u00fabito. A cauda da vaca dever\u00e1 ser amarrada lateralmente e o peso do \u00f3rg\u00e3o prolapsado deve ser apoiado sobre algum local. Em seguida, os cotil\u00e9dones fetais devem ser separados cuidadosamente sem causar dano \u00e0s car\u00fanculas para reduzir o peso do \u00fatero. O \u00fatero deve ser limpo com \u00e1gua morna e deve se suturar as lacera\u00e7\u00f5es. Posteriormente, \u00e9 feita a antissepsia da superf\u00edcie do \u00fatero com clorexidina a 1%. A palpa\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o prolapsado deve ser feita antes da sua recoloca\u00e7\u00e3o para detetar a presen\u00e7a de bexiga distendida, que caso esteja presente dever\u00e1 ser esvaziada atrav\u00e9s de uma pun\u00e7\u00e3o. O uso de substancias higrosc\u00f3picas (a\u00e7\u00facar, sal) ajudam na redu\u00e7\u00e3o do edema do endom\u00e9trio, no entanto, devendo ser removidas ao fim de 5 minutos ap\u00f3s a sua aplica\u00e7\u00e3o devido ao risco de trauma adicional. A recoloca\u00e7\u00e3o do \u00fatero em sua posi\u00e7\u00e3o anat\u00f3mica dever\u00e1 ser iniciada pela vulva. A realiza\u00e7\u00e3o de suturas de reten\u00e7\u00e3o na vulva podem ser consideradas para prevenir o risco de recorr\u00eancia de prolapso. A sutura de B\u00fchner \u00e9 a mais utilizada em prolapsos uterinos, e consiste na realiza\u00e7\u00e3o de uma sutura de bolsa de tabaco. Todavia, a execu\u00e7\u00e3o de suturas, implica uma reavalia\u00e7\u00e3o do paciente ap\u00f3s 12 a 24h e a sua remo\u00e7\u00e3o entre 2 a 3 dias ap\u00f3s a recoloca\u00e7\u00e3o uterina. A histerectomia \u00e9 um procedimento que est\u00e1 indicado quando a vaca apresenta um \u00fatero muito traumatizado ou gangrenoso que possa colocar a sua vida em risco. Ap\u00f3s a histerectomia deve-se administrar um toxoide antitet\u00e2nico, AINEs e antibi\u00f3ticos. No p\u00f3s-operat\u00f3rio recomenda-se a administra\u00e7\u00e3o endovenosa de 150\u2013300 mL de borogluconato de c\u00e1lcio mesmo que o animal n\u00e3o exiba sinais de hipocalcemia, AINEs e antibi\u00f3ticos sist\u00e9micos durante 2 a 4 dias. <\/p>\n<p><strong>Preven\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA preven\u00e7\u00e3o deste dist\u00farbio reprodutivo consiste em evitar reproduzir f\u00eameas predispostas a prolapso, realizar um bom maneio nutricional para evitar o excesso de peso e d\u00e9fices nutricionais  no momento do parto, a suplementa\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio para prevenir hipocalcemia e a elimina\u00e7\u00e3o de fontes de estrog\u00e9nio no pasto.<\/p>\n<p><strong>Progn\u00f3stico<\/strong><br \/>\nO progn\u00f3stico do bovino com prolapso uterino pode ser variavel e deve ter em considera\u00e7\u00e3o o tipo de causa que desencadeou o seu aparecimento; comprometimento ou n\u00e3o do \u00fatero; dura\u00e7\u00e3o do prolapso antes de iniciar o tratamento; presen\u00e7a de les\u00f5es graves em \u00f3rg\u00e3os como a bexiga ou ansas intestinais e a ocorr\u00eancia de hemorragia dos grandes vasos sangu\u00edneos que irrigam o \u00fatero. Quando h\u00e1 interven\u00e7\u00e3o veterin\u00e1ria precoce e tratamento, apresenta bom progn\u00f3stico e uma taxa de sobreviv\u00eancia de 80% sendo que por norma, a recorr\u00eancia de prolapsos uterinos n\u00e3o acontece.<\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><br \/>\nSilva, K. M., 2016. Prolapsos Vaginais e Uterinos em Animais de Produ\u00e7\u00e3o: Estudo Retrospetivo dos casos atendidos no Hospital Veterin\u00e1rio de Grandes Animais. Tese de Mestrado, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterin\u00e1ria, Bras\u00edlia, 62 pp;<br \/>\nCamargos, A. S., Gioso, M. M., Reis, L. S. L. S., Costa, I. F., Ferraz, M. C., Oba, E., 2013. Ocorr\u00eancia de dist\u00farbios de gesta\u00e7\u00e3o, parto e puerp\u00e9rio em vacas leiteiras. Revista Cientifica Eletr\u00f3nica de Medicina Veterin\u00e1ria, 20, 3.;<br \/>\nNoakes, D. E., Parkinson, T. J., 2019. Injuries and Diseases Consequent Upon Parturition. Veterinary Reproduction and Obstetricts, Eds. Noakes, D. E., Parkinson, T. J., England, G. C.W., Elsevier, 340-343.;<br \/>\nSim\u00f5es, J., Stilwell, G., 2021. Puerperal Complications in the Dam. Calving Management and Newborn Calf Care: An interactive Textbook for Cattle Medicine and Obstetrics, Springer, 210-215.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Emerg\u00eancias reprodutivas em bovinos: Prolapso uterino O que \u00e9 e como se desenvolve um prolapso uterino? Nos bovinos, o prolapso uterino \u00e9 caracterizado como a exterioriza\u00e7\u00e3o do \u00fatero atrav\u00e9s do canal vaginal durante ou ap\u00f3s a terceira fase do parto (expuls\u00e3o do vitelo). 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