RDeclínio dos Botos da Amazónia

Estas duas espécies de cetáceos, boto cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e boto preto (Sotalia fluviatilis) eram, até há pouco tempo, consideradas abundantes em certos espaços geográficos. No entanto, devido às pressões ambientais impostas pelos humanos, o seu número tem vindo a diminuir drasticamente. Ambas as espécies são vítimas de captura quando ficam presas nas redes de arrastão e também quando são pescadas com o intuito de servirem de iscos de peixes para a pesca.
Os botos apresentam um intervalo entre nascimentos de cerca de 4,6 anos sendo que apenas um boto nasce nesse período. Com esta duração entre cada nascimento é muito difícil contrariar a queda abruta da população dos mesmos.
Relativamente ao estudo, o mesmo representa uma série temporal de 22 anos onde os autores relataram que a hidrovia que foi usada para estas pesquisas não sofreu nenhuma mudança notória. Segundo estes, parece haver pouca dúvida de que, ano após ano, a queda da população de botos é real e que a causa mais provável é a morte dirigida e acidental devido à pesca humana. O estudo refere também que, desde o ano 2000, mais de metade da população referente à Reserva de Mamirauá foi perdida. Foi também mencionado que o declínio do boto-preto é superior uma vez que esta espécie é menor e menos vigorosa e apresenta maior dificuldade a escapar das redes de pesca.
A pesca de ambos os cetáceos é proibida desde 2015, sendo que cada vez mais há evidências de que a lei não está a ser devidamente cumprida. Este forte declínio referente a estas duas espécies não irá acabar se não houver mudanças rápidas e eficazes referentes à pesca. A “Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza” categoriza esta espécie como “dados insuficientes”. Os autores afirmam que se os critérios da Lista Vermelha fossem aplicados com base neste estudo, a categoria destas espécies seria “Criticamente Ameaçada”, devido à suspeita de redução da população de ≥ 80 % num período de 10 anos.
Sabe mais em: hthttp://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0191304
