Intoxicação por permetrina em gatos

A permetrina deriva de um composto químico sintético (piretróides) cuja base é a estrutura química das piretrinas. Piretrinas são compostos naturais que derivam de uma flor – Chrysanthemum cinerariaefolium. Este composto era utilizado desde os anos 70 em animais de produção sendo que, neste momento, já ganhou aceitação em produtos para pequenos animais. A sua utilização é muito comum nos dias que correm uma vez que esta apresenta uma grande facilidade na administração, eficácia e uma certa segurança. São vastos os diferentes tipos de produtos encontrados no mercado com este composto e muitos deles nem precisam de prescrição veterinária.
Como inseticida e quando usada adequadamente, a permetrina é muito eficaz, pouco tóxica e apresenta uma ampla margem de segurança. É um composto solúvel em gordura sendo que, após absorção apresenta um rápido metabolismo e uma rápida excreção. É completamente eliminada do organismo em aproximadamente 12 dias pela urina. Ao nível do sistema nervoso, esta afeta os canais de sódio e, consequentemente, a diminuição da condução de potássio pelo que vai inativar o potencial de ação, resultando em disparos nervosos repetitivos.
Os sinais clínicos da intoxicação por permetrinas são, essencialmente: tremores musculares, convulsões, hipertermia, ataxia, entre outros, sendo que podem levar até 24h a manifestar-se.
Quanto ao tratamento, este passa por várias etapas em que a primeira consiste no controlo das convulsões e tremores musculares com, por exemplo, diazepam. De seguida, o gato é lavado com detergente e água morna para que o composto seja eliminado da pele e pelo. Devemos sempre monitorizar a temperatura, proceder com fluidoterapia e não permitir que o gato se lave, uma vez que a absorção do tóxico é mais eficaz por via oral.
Os gatos apresentam uma maior sensibilidade a este tóxico em comparação com outros mamíferos como, por exemplo, os cães. A razão específica para esta elevada sensibilidade ainda não se encontra muito bem estudada, mas acredita-se que seja devido a uma deficiência da enzima glicuronidase, que é necessária para o metabolismo da permetrina. Outro motivo dever-se-á ao facto de que as enzimas hidrolíticas que degradam os ésteres piretróides têm uma lenta taxa de hidrólise nos gatos, comparativamente a outras espécies.
São muitos os produtos à venda no mercado com esta substância, tais como: spray, coleiras, shampoos e pipetas. Cada produto deverá ser de uso exclusivo de cão ou de gato ou terá doses específicas para cada um, sendo que um desrespeito pelas instruções do produto pode levar à intoxicação do animal.
A intoxicação em gatos pode ocorrer de diversas formas: ingestão oral, aplicação tópica de produtos muito concentrados, grooming a cães tratados e, também, através do uso off-label. Quando intoxicados, se receberem um tratamento rápido e eficaz o prognóstico tendencialmente é bom, sem grandes efeitos adversos a longo prazo.
É de extrema importância alertar os donos para este tipo de situação e aconselhá-lo a ler os rótulos dos produtos, não administrar produtos de uso exclusivo de cães em gatos e optar por produtos mais seguros.
Sabe mais em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18498556
