Urolitíase por Cristais de Xantina

Urolitíase por Cristais de Xantina

 

Este caso clínico diz respeito a uma gata que se apresentou à consulta com astenia, anorexia, vómito e anúria há dois dias. Ao exame físico demonstrou sinais de depressão e desidratação entre 6-8%. Na palpação abdominal apresentou sinais de dor e ambos os rins encontravam-se distendidos e a bexiga vazia. O felino apresentava um hemograma normal, no entanto, as análises bioquímicas demonstraram um aumento do nitrogénio ureico sanguíneo (BUN), da creatinina (CRE) e do potássio (Ka).
Foi-lhe instituída de imediato fluidoterapia com NaCl a 0,9% e colocado um cateter transuretral para permitir uma medição da produção de urina. Após quatro horas de administração de fluídos a gata continuou a ter ausência de produção de urina, hiponatremia e a manifestar sinais de hidratação excessiva, tais como edema intersticial e quemose. À ecografia, detetou-se a presença de múltiplos nefrólitos e urólitos, dilatação de ambas as pélvies renais e hidroureter.
Apesar da terapêutica, a condição do doente foi piorando e, por isso, foi aconselhado aos tutores a realização de uma cirurgia. A gata foi submetida a uma ureterotomia distal bilateral e foram recolhidos os urólitos. Foi também coletada urina de ambos os ureteres para análise bacteriológica e colocado um cateter nos ureteres para realização de várias lavagens de forma a garantir que tinham sido removidos todos os urólitos. Mais tarde, quando chegaram os resultados, foi revelado que os urólitos eram de xantina e que não havia presença de bactérias. Nas amostras de urina e de soro foi também detetado valores de hipoxantina e xantina aumentados.
Um mês depois da cirurgia foi realizada uma ecografia em que ambos os rins e ureteres já se encontravam com dimensões normais. Nesta altura, foi também recolhida uma amostra de urina em que a mesma não demonstrou sinais de existência de cristais. Foi recomendada uma dieta pobre em proteína, um aumento da ingestão de água e realização de uma ecografia a cada três meses. Um ano após a cirurgia a felina foi outra vez avaliada e, neste momento, já foram detetados cristais na urina. Na ecografia foi possível identificar um cálculo no rim esquerdo e dois no direito. No entanto, a gata encontrava-se assintomática e os níveis de ureia e creatinina encontravam-se dentro dos parâmetros normais.
Uma diminuição da ingestão de purinas, aumento do consumo de água e alcalinização da urina de forma a diminuir a concentração de xantina e de forma a aumentar a sua solubilidade foram algumas das medidas preventivas adotadas. Uma dieta renal húmida foi também aconselhada.
Na presença de uma idade bastante jovem, ausência de ingestão de alopurinol e uma elevada excreção de xantina e hipoxantina é possível afirmar que, muito provavelmente, estaríamos perante um caso de xantinúria congénita e uma deficiência congénita em xantina desidrogenase (XDH).

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