Caracóis mais propensos a assumir riscos quando estão com fome…

Caracóis mais propensos a assumir riscos quando estão com fome…

 

Pesquisadores da Universidade de Sussex decidiram saber mais sobre como a fome pode dar um valor acrescentado a certos alimentos, pelo que conduziram um estudo no qual analisaram os padrões comportamentais de caracóis de lagoas famintos e depois cruzaram o referido comportamento com gravações de atividade cerebral. Os resultados foram publicados na revista Science Advances, e concluem que os caracóis arriscam-se mais a ingerir substâncias potencialmente tóxicas, quando estão com fome.
“Equilibrar o risco e a sobrevivência é comum à maioria dos organismos e, ao concentrarmo-nos nos modelos de caracóis da lagoa, somos capazes de obter informações sobre mecanismos semelhantes em animais complexos, onde essas questões são muito mais difíceis de investigar”, explicou o Prof. Kevin Staras, co-autor do artigo. A vontade de equilibrar o risco com a sobrevivência é um comportamento primitivo que existe em quase todas as espécies vivas.
Por outro lado, os investigadores deram uma atenção especial ao comportamento e às gravações cerebrais dos caracóis para entender melhor esses mecanismos instintivos. Ao que parece, a decisão de ingerir substâncias não palatáveis depende do processo de tomada de decisão neural do caracol – mais especificamente, aquele que envolve interneurónios dopaminérgicos centrais. Quando os caracóis da lagoa ficam mais famintos, preocupam-se menos com os riscos envolvidos na ingestão de substâncias não palatáveis e mais em aumentar as suas hipóteses de sobrevivência.
Os investigadores validaram as suas descobertas depois de manipular esse processo neurológico em caracóis de lagoa satisfeitos. Assim, como os caracóis da lagoa famintos, os espécimes manipulados participavam de comportamentos de ingestão mais arriscados. Embora este estudo tenha envolvido primariamente caracóis de lagoas, acredita-se que mecanismos similares desencadeiem respostas de desespero noutras espécies vivas, incluindo humanos. Quando os tempos ficam difíceis, o cérebro responde adequadamente, sendo menos exigente e aumentando, assim, as chances de sobrevivência.

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