Aumento de níveis CO2 pode levar a perda de olfato?

É de esperar que o aumento dos níveis de CO2 atmosféricos influenciem as concentrações de CO2 no oceano, pelo que foi colocada a hipótese destas alterações influenciarem a capacidade de olfato dos animais marinhos.
Para responder a esta tese, foram estudadas as capacidades olfativas do salmão-prateado. O salmão-prateado tem este sentido muito desenvolvido para poder perseguir as suas presas, encontrar companheiros e orientar-se quando é altura da desova para montante dos traços de água.
De acordo com um estudo publicado neste último mês de Dezembro na Global Change Biology, o comprometimento desta capacidade sensorial nestes animais representa uma grave ameaça à espécie.
Assim, foram realizadas experiências laboratoriais em que populações destes peixes foram colocadas em contacto com águas progressivamente acidificadas (por níveis elevados de CO2) – verificou-se como resultado a inibição sensorial dos salmões.
Para estes testes, foram usados salmões-prateados jovens expostos a três níveis diferentes de acidez durante duas semanas. Após este período, os animais foram submetidos a uma série de testes comportamentais e neurais.
Um dos testes era a exposição dos três diferentes grupos ao extrato de pele de salmão, que sinalizaria a aproximação de um predador e cuja resposta esperada seria, consequentemente, a fuga. Porém, peixes expostos a altos níveis de acidez tiveram inibição da sua resposta. A análise do bulbo olfactivo do salmão mostrou que, nestes casos de elevada acidez, há também limitação na atividade cerebral perante exposição a odores.
Apesar do experimento apenas ter usado como população salmões-prateados, pensa-se que os efeitos observados se aplicam a outras espécies marinhas selvagens.
Este estudo pretende alertar para as consequências dos aumentos das emissões de dióxido de carbono, a qual pode resultar na perda de uma quantidade significativa de fauna marinha.
