Anestesia em Cães Braquicéfalos

Anestesia em Cães Braquicéfalos

 

São diversos os problemas que as raças de animais braquicéfalos apresentam com grande frequência, como doenças gastrointestinais – regurgitação, vómito e refluxo gastroesofágico –, Braquycephalic Obstructive Airway Syndrome (BOAS) e sensibilidade da córnea com secura e elevada probabilidade de ulcerações.
Em casos severos de BOAS a elevada pressão negativa pode resultar num aumento do retorno venoso para o lado direito do coração o que vai aumentar a pressão da artéria pulmonar fazendo com que a função ventricular esquerda se reduza e a pós-carga aumente, podendo acabar por resultar em edema pulmonar.
Relativamente à elevada prevalência de refluxo gastroesofágico nestas raças, pensa-se que poderá ser devido, em certa parte, a uma elevada pressão negativa intratorácica que é gerada para superar obstruções do trato respiratório superior.
Os problemas oculares, tal como a doença ulcerativa da córnea, são muito frequentes uma vez que estes animais apresentam vários fatores de risco tais como olhos proeminentes e sensibilidade corneana reduzida.
Antes da cirurgia é muito importante planear e gerir um bom plano anestésico para o animal em questão, onde deverão também fazer parte os fármacos de emergência.
A história clínica do doente é muito importante para a realização de um plano anestésico, é importante saber se o animal apresenta história de estridores, intolerância ao calor/exercício e episódios de síncope e cianose. Reconhecer estes problemas antes da cirurgia irá diminuir a probabilidade de ocorrência de complicações, tais como dificuldades na entubação. É também muito importante, no momento da intubação, verificar se o cuff está bem insuflado para evitar ocorrência de refluxo e, consequentemente, pneumonias por aspiração.
É também uma boa opção recorrer a pré-medicação neste tipo de raças, uma vez que esta poderá reduzir a ansiedade, proporcionar uma boa sedação, facilitar a colocação do cateter e reduzir a dose de agentes indutores. A acepromazina é um fármaco comumente utilizado para este fim associada com um opioide. É preciso também estar atento a situações de hipercapnia e hipoventilação no momento da cirurgia, uma vez que ambas as condições são comuns.
A recuperação da anestesia é um período de alto risco e que carece de grande atenção, principalmente se o animal foi intervencionado nas vias aéreas superiores. É necessário ter atenção à presença de edema da mucosa e se há presença de coágulos ou hemorragias ativas, uma vez que tais condições podem levar a obstrução. Neste período é também essencial garantir a respiração do paciente até que este apresente tónus muscular suficiente e um bom estado de alerta para o fazer por si só.
Em suma, em raças de cães braquicéfalos que necessitem de uma intervenção com recurso a anestesia é muito importante realizar uma boa consulta pré-anestésica para identificar possíveis sinais clínicos que deverão ter sidos em conta no momento da intervenção. Uma analgesia adequada e um bom controlo de dor são muito úteis nestes casos.

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