Declínio assustador dos cavalos marinhos na ria formosa

Declínio assustador dos cavalos marinhos na ria formosa

 

A Ria Formosa é um sapal, situado no Algarve, que possui características únicas e que permite o desenvolvimento de inúmeras espécies marinhas da costa portuguesa. O cavalo-marinho é uma das espécies mais emblemáticas desta zona. Mas, aquele que outrora era considerado o abrigo da maior população destes animais de focinho comprido, hoje em dia é raro observar-se algum. Na verdade, os censos de 2018 revelaram que a ria alojava cerca de cento e cinquenta e cinco mil indivíduos, enquanto que em 2001 eram cerca de dois milhões. Este declínio deve-se, essencialmente, à destruição do habitat (constituído maioritariamente por pradarias de ervas marinhas), à pesca ilegal, através de arrasto de vara, e à poluição sonora, que também acarreta, efeitos prejudiciais sobre estas espécies.
A maior preocupação, neste momento, é a pesca ilegal destes seres com destino ao mercado asiático, onde são utilizados na medicina tradicional por lhes atribuem, na versão seca e sem vísceras, poderes medicinais e milagrosos.
O cavalo-marinho é um peixe sedentário, que vive em áreas de cem metros quadrados, praticamente sem predadores e que se movimenta muito devagar. Esta última característica permite que a sua pesca seja extremamente fácil, através de mergulho com garrafa e arrasto de vara (métodos que não são permitidos no Parque Nacional da Ria Formosa). Os animais que não são apanhados ficam isolados, impedindo a reposição da população. Estas redes acabam por destruir as pradarias de macroalgas, ficando só lama, sem locais para se agarrarem. Pode-se, assim, afirmar que a destruição desta espécie na Ria Formosa é antropogénica.
No ano de 2016 foram apreendidos, em Espanha, cerca de 2000 cavalos-marinhos, provenientes da Ria Formosa, que se destinavam ao mercado chinês e que iriam render aos traficantes cerca de dez mil euros.
Atualmente pretende-se criar umas mini reservas de proteção total, para serem utilizadas como berçários, de forma a colonizar novamente a ria.

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