Estágio: Centro Veterinário de Exóticos do Porto

A Escola Universitária Vasco da Gama é conhecida por incluir no plano de estudo dos alunos um estágio anual com duração de um mês numa área da Medicina Veterinária, à escolha dos alunos.
Chegado ao meu segundo ano, tive de fazer a minha primeira escolha. Optei pelos animais exóticos, (os tais bichos estranhos que eu adoro) e candidatei-me ao Centro Veterinário de Exóticos do Porto. Rapidamente recebi um feedback positivo do Dr. Joel Ferraz, Diretor Clínico, que acabou por ser o meu orientador científico.
Acerca do CVEP: Localiza-se na freguesia de Ramalde, perto do Hospital da Prelada. É constituído por um consultório, uma sala de cirurgia, duas salas de internamento (uma quente e uma fria), uma sala de radiologia, um escritório, sala de espera, uma casa de banho, uma sala de revelação de raio-x, um armazém, um vestuário uma sala para medicações, análises citológicas e lavagens e um jardim. Encontra-se aberto, para serviço de consultas, das 10:00 horas às 12:30 horas e das 15:00 horas até às 19:30 horas de segunda a sábado, e conta também com um serviço permanente de urgências 24 horas.
Enquanto estagiário pude efetuar várias coisas, entre elas:
-Observar as consultas e auxiliar na contenção dos animais;
-Auxiliar na alimentação dos animais e realização de tratamentos médicos;
-Presenciar cirurgias e tratamentos dentários a roedores;
-Preparar as instalações para os animais internados e fornecer-lhes, diariamente, alimento e água;
– Atender clientes.
O CVEP possui uma incrível casuística e durante este tempo de estágio pude acompanhar os mais diversos casos clínicos e espécies animais. Para além dos típicos roedores, répteis e aves, ainda consegui presenciar tratamentos em porcos vietnamitas, furões, um peixe e um falcão.
Para quem gosta destes animais diferentes, o Centro Veterinário de Exóticos do Porto, é definitivamente, um excelente local para se aprender, onde todo o corpo clínico se preocupa em instruir-te, da melhor forma possível, e incluir-te nos diversos atos clínicos.
Após o meu estágio contactei, posteriormente, com o Dr. Joel Ferraz, que muito gentilmente, respondeu a uma série de questões que te podem ser muito úteis.
Pode fazer-nos uma breve história sobre o início da clínica?
Há 7 anos que fazia clínica de exóticos, noutros Centros de Atendimento Médico-Veterinário. A ideia de abrir um centro exclusivo para estes animais surgiu principalmente por causa da necessidade de internamento destas espécies. Quando estes pacientes estão doentes é preciso ter uma equipa inteira sensível para estas espécies. Não só nos procedimentos mais complexos, mas sobretudo no suporte e na monitorização… estes bichinhos precisam de uma equipa só para eles! Assim, abrimos as portas do CVEP em março de 2009, e continuamos viciados nestes animais!
Quais foram os animais mais estranhos que apareceram no CVEP? Tem alguma história engraçada que nos possa contar?
Dos animais mais estranhos, ou menos comuns, que já tratámos no CVEP, recordo uma tigresa, com um tumor mamário, avestruzes, mais com lesões ortopédicas, tarântulas e, uma vez, uma ameaça de urgência de um grilo! Mas esse não chegou a vir… os donos acharam que não valia a pena gastar dinheiro. Foi só uma tentativa de consulta por telefone. A tigresa deu uma história engraçada. Pertencia a um circo e, na altura, o dono ficou de esperar no carro enquanto nós fazíamos a cirurgia… Correu tudo muito bem, a tigresa começou a acordar, demos mais um pouco de anestesia e, supostamente, meteríamos novamente o animal na carrinha do circo e só a acordaríamos na sua jaula, já no sítio onde o espetáculo estava montado. Qual não foi o espanto de toda a equipa quando descobrimos que o senhor tinha-se ido embora, e tinha o telemóvel desligado! E nós ali com um tigre prestes a acordar, no meio da clínica! Por sorte, um dos nossos colegas tinha um jipe e conseguimos lá meter a tigresa, depois de rebater os bancos e com muito jeitinho… Tivemos sorte que a polícia não nos tenha mandado parar, no meio da estrada, com um tigre na mala, pronto a acordar… Quando a deixámos na jaula, demos-lhe o antídoto da anestesia, e ela despertou tranquilamente. Minutos depois chegou o dono do circo… Tinha aproveitado para encher os pneus da carrinha! Entretanto perdeu-se, ficou sem bateria no telemóvel, não encontrava a clínica e só veio ter connosco ao circo quando já estava tudo resolvido.
Sabemos que trabalha no Sea Life do Porto. Tem algumas informações sobre o trabalho que lá realiza e que nos queira divulgar?
O meu trabalho no Sea Life foi muito estimulante porque me obrigou a trabalhar com imensas espécies diferentes. Requereu muito estudo, sobre os animais e sobre a água (!) mas foi sempre muito enriquecedor. Dos episódios mais emocionantes recordo-me de quando tivemos que tirar sangue a uns tubarões, à tartaruga marinha ou colocar microchips nos crocodilos….
Quantos estagiários recebe ao mesmo tempo e qual a política para os receber?
A quantidade de estagiários que recebemos no CVEP pode variar de 1 ou 2, durante umas vezes, a 10 ou 12, principalmente no verão. Não temos uma política muito definida…às vezes vêm uns estudantes de Medicina Veterinária durante uns 6 meses, de Portugal ou do estrangeiro, outras vezes vêm estudantes do 7º ou do 8º ano do liceu, durante uma semana. Depende do interesse de cada um, e tentamos que a experiência seja sempre construtiva.
