Pele de peixe como terapêutica para queimaduras cutâneas

Pele de peixe como terapêutica para queimaduras cutâneas

 

Stella é uma cadela com apenas 1 ano de idade, Rotwtweiler, e com uma história que vale a pena partilhar: esta fêmea escapou de um incêndio em Lansing, Michigan. Contudo, apresenta queimaduras espalhadas pela cabeça, orelhas, extremidades, traseira e laterais do corpo. Além disso, desenvolveu problemas respiratórios pela inalação de fumo e nos olhos ficaram ainda marcadas as úlceras e cicatrizes.
Durante um período de duas semanas o animal apresentou prognóstico reservado.
A maior ameaça a esta cadela eram o trauma e as lesões térmicas na traqueia e nos pulmões; desta forma, foi urgentemente colocada sob fluidoterapia e oxigenioterapia. Após estabilização, a equipa de cirurgia de tecidos moles fez o planeamento dos procedimentos necessários e a equipa de oftalmologia ficou responsável pelas lesões nos olhos.
Devido às várias lesões respiratórias, a Stella nunca foi considerada um bom candidato para aplicação de anestesia e seguimento com procedimentos cirúrgicos. A medida de todos os riscos levou a equipa a procurar um método menos tradicional de terapêutica – aplicação de peles de bacalhau islandesas, doadas pela Kerecis (empresa que desenvolve produtos de pele de peixe para uso em queimaduras e outros procedimentos médicos em humanos e naturais).
Devido à composição do tecido e aos altos níveis de ácidos gordos ómega-3 da pele do bacalhau, os enxertos deste tipo possuem propriedades anti-inflamatórias e antibióticas, importantes para a cicatrização e regeneração tecidual, não exigindo também sedação pesada.
Para este tipo de enxertos pode ser também considerada a pele de tilápia, no entanto esta funciona como cobertura, não promovendo a regeneração que a pele de bacalhau propicia.
Demonstrou-se aqui que os enxertos de bacalhau estimularam a produção de células e tornaram-se tecidos vivos funcionais na Stella. Os enxertos aplicados podem ser trocados com a frequência que a queimadura necessitar.
O incêndio ocorreu no início de Fevereiro e hoje a Stella apresenta-se atina, com uma boa recuperação das queimaduras cutâneas e apenas com dificuldades na recuperação respiratória.

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