“Preguiças” – um nome nada adequado!

As preguiças pertencem à subordem de mamíferos Folivora, representando dois géneros diferentes: Bradypus spp., vulgarmente conhecida como Preguiça-de-três-dedos e Choloepus spp., nome científico de Preguiça-de-dois-dedos.
A verdade é que um pouco por todo o mundo, o seu nome é atribuído com base nesta pressuposta característica: a preguiça. No entanto, este é possivelmente utilizado de maneira errada, porque estes animais se movimentam lentamente e descansam por longos períodos de tempo, o que não é necessariamente sinónimo de preguiça, tendo em conta o que as levam agir de tal maneira
Estas são dos raros mamíferos que são herbívoros arborícolas, ou seja, alimentam-se de folhas. Embora ambos os subgéneros sejam de médio tamanho e tenham um intestino delgado onde ocorre fermentação, similar às camaras anteriores dos ruminantes, as preguiças-de-dois-dedos possuem uma dieta mais diversificada, com matéria animal, frutas e folhas, enquanto as preguiças-de-três-dedos se alimentam estritamente de folhas. Este facto suporta a teoria mais aceite para explicar o porquê das preguiças (Bradypus spp.) terem taxas de obtenção de energia bastante limitadas: uma dieta pobre em calorias, com uma alta toxicidade, combinada com um longo período de digestão, que leva a uma aquisição de energia de uma forma demasiado lenta para que a possa gastar rapidamente. Segundo alguns autores, possivelmente, algumas preguiças ainda se alimentarão, de modo a suplementar a sua dieta, de algas que vivem nas suas pelagens, altamente digestíveis e ricas em lípidos.
Deste modo, para que possam sobreviver com esta alimentação limitada, as preguiças-de-três-dedos possuem uma taxa metabólica muito baixa, correspondendo a metade do esperado para a sua massa corporal e à mais baixa dos animais que não hibernam.
Para além disso, tendo em conta os inúmeros predadores deste animal, com atributos que fazem deles bem-sucedidos, desde águias (como o gavião-real) ou felinos, é possível que a lentidão da preguiça, que se move a 6 centímetros por segundo à sua máxima velocidade, segundo Rory Wilson, biólogo da universidade de Swansea, seja uma forma de passar despercebida, já que a sua anatomofisiologia faz com que outro método seja difícil de aplicar.
Na verdade, as preguiças são três vezes mais rápidas a nadar do que a mover-se em terra. Uma vez que 30% do seu peso corporal corresponde a folhas em processo de digestão e fermentação, elas flutuam.
Assim, e segundo o zoólogo Becky Cliffe, fundador da Sloth Conservation Foundation, as preguiças são, no fundo, um animal perfeitamente adaptado para possibilitar a sua sobrevivência.
