Pelagem de preguiças pode esconder grandes benefícios

Pelagem de preguiças pode esconder grandes benefícios

 

As preguiças, mamíferos arborícolas existentes nas florestas de planícies da América Central, são portadoras de uma vasta variedade de micro e macrorganismos na sua pelagem. Em 2014 um estudo reportou o isolamento de cadeias bioativas de fungos residentes na mesma e a testagem da sua bioatividade in vitro.
A pelagem das preguiças-de-três-dedos, do género Bradypus, possui duas camadas: uma mais interna, junto à pele, constituída por pelo fino e suave e outra, externa, cujos pelos são mais ásperos e grossos. Estes últimos apresentam fissuras transversais, que albergam uma alga, do género Trichophilus. Esta relação aparenta ser um mutualismo, já que se pensa, não cientificamente comprovado, que a alga sirva de camuflagem para as preguiças e que, segundo certos autores, as substâncias produzidas pela mesma alga potenciam o crescimento de bactérias benéficas para o hospedeiro. Assim, sabe-se que a camada de pelos que cobre a pele destes animais é o habitat de muitos organismos, mas pouco se sabe acerca da comunidade de fungos aí existente.
No estudo supracitado encontrou-se um largo espetro de atividades contra cadeias de parasitas que causam doenças como a malária (Plasmodium falciparum) e a doença de chagas (Trypanosoma cruzi), assim como para a linha celular MCF-7 do cancro da mama humano. Para além disso, ainda foi detetada atividade antimicrobiana, contra gram-negativos e positivos em 20 de 50 estratos de fungos testados, alguns patogénicos em humanos. Dentro destes, um deles apresentou um padrão de bioatividade contra bactérias gram-negativas, que sugeriu um potencial novo mecanismo de ação.
Consequentemente e tendo em conta o aumento significativo das resistências contra os antibióticos, o crescimento da incidência do cancro e da sua letalidade globalmente e o facto dos produtos naturais serem uma das fontes mais importantes no desenvolvimento de novos medicamentos hoje em dia, as preguiças poderão ser as hospedeiras de um espetro interessante de microrganismos para o desenvolvimento de novas terapias.

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