Governo holandês toma medidas em prol do bem-estar das raças braquicefálicas

A Holanda tornou-se, em 2019, o primeiro país a impor limites na criação de raças braquicefálicas. Desde 2014 que este país lançou legislação que proibia a perpetuação de indivíduos de raças que apresentassem anomalias que pudessem ser danosas para com os progenitores e/ou as crias, como promoção do bem-estar animal.
A nova legislação pretende criar um sistema de classificação para características externas das diferentes raças. O sistema apelidado de Traffic light system avalia medidas de cabeça, classificando-as em três categorias: vermelho, laranja e verde.
Nesta classificação:
• O código vermelho inclui raças cujos espécimes tenham um nariz menor do que um terço do comprimento do seu crânio. Neste incluem-se muitos espécimes de Pugs, Bulldog Inglês e Francês. A criação destes indivíduos seria imediatamente proibida;
• O código laranja é aplicado a raças em que os espécimes tenham um nariz com um comprimento entre metade e um terço do comprimento do seu crânio. A criação destes cães é permitida se estes cumprirem outros critérios;
• O código verde aplica-se a cães com um nariz com comprimento superior a metade do comprimento do seu crânio.

Figura 1 – presente em “https://wamiz.co.uk/news/12517/dutch-to-crack-down-on-the-breeding-of-short-snout-dogs”
O governo holandês não vê esta legislação como final e pensa ainda em tornar mais restritiva com o tempo. Carola Schouten, ministra da agricultura, natureza e qualidade alimentar, declarou que esta legislação tenta criar “novas maneiras de pensar”, mudando a forma como as pessoas idealizam a criação de animais.
A criação desta lei levou a que o Clube de Criadores Holandês (Raad van Beheer) e a Universidade de Utrecht colaborassem para desenvolver programas de criação que assegurassem que, por exemplo, os Pugs conseguissem atingir os parâmetros estabelecidos na lei.
É uma primeira legislação restritiva de criação de raças implementada na Europa, sendo de esperar que tenha impacto noutros países. O Royal College of Veterinary Surgeons, no Reino Unido, já demonstrou grande admiração face ao movimento.
