Leishmaniose: o que sabes tu?

Leishmaniose: o que sabes tu?

 

A Leishmaniose canina deriva da Leishmania infantum uma das zoonoses mais fatais para cães e humanos. A Leishmaniose canina é endémica em cerca de 70 países. Na Europa os países mais preocupantes são os do sul, como Portugal, Espanha e Itália. Os animais com maior predisposição para desenvolver doença são aqueles com mais de 2 de anos de idade, que vivem ao ar vivo e têm pelo curto e, no caso de Portugal, aqueles que vivem no interior do país.
A via de transmissão mais comum é a partir de flebótomos que contêm o parasita e que o inoculam nos cães. Também pode haver transmissão por transfusão sanguínea, transmissão vertical e transmissão por relação sexual.
Este parasita aloja-se no interior macrófagos do hospedeiro e prolifera-se. O maior problema desta doença é o combate do sistema imunitário contra o parasita. Pois, apesar de se formarem anticorpos contra leishmaniose, esta não será reconhecida pois está camuflada no interior dos macrófagos. As únicas células imunitárias capazes de eliminar os macrófagos infetados são os linfócitos Th1.

 
Figura 1- Ciclo de Vida de Leishmania infantum (Solano-gallego et al., 2011)

 

Os sinais clínicos mais comuns são linfadenomegália generalizada, anorexia, poliúria e polidipsia, hepatomegalia e esplenomegalia, epistaxis, dermatite esfoliativa, onicogrifose (unhas muito compridas) e amiotrofia. Em situações mais graves poderão existir lesões oculares: blefarite, uveíte, e manifestarem-se outros sinais clínicos.
Existem 4 estadios para classificação desta doença, consoante a gravidade dos sintomas. Esses estadios estão explicados no quadro seguinte.

 

 

O tratamento resulta da combinação de um leishmaniostático, o allopurinol, com um leishmanicida, o antimoniato de meglumina (MA) ou miltefosina, e da administração de um imunomodelador que promove o aumento do número de linfócitos Th1.
Sendo o tratamento muito prolongado, caro e, de certa forma, doloroso é preferível apostar na prevenção.
A melhor prevenção será a utilização de repelentes contra flebótomos (spot-on ou coleiras), a administração de Domperidona (Leisguard) durante os meses de maior risco e apostar na vacinação contra o parasita.

Podes aprender muito mais sobre esta doença acedendo ao seguinte

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Solano-gallego, L. et al. (2011) ‘LeishVet guidelines for the practical management of canine leishmaniosis’, Parasites & Vectors. BioMed Central Ltd, 4(1), p. 86. doi: 10.1186/1756-3305-4-86.