Para além de melhor amigo, um detetor de cancro

Cada vez mais é estudado quais as capacidades que os nossos cães têm, sem ser o enorme talento natural de nos darem amor e serem os nossos melhores amigos.
Num estudo feito por Michael McCulloch, 5 cães domésticos comuns foram ensinados a distinguir amostras de cancro da mama e de pulmão, através do nosso hálito. Foram treinados a sentar/ deitar quando o indivíduo apresentar a doença, e a ignorar quando estão perante alguém sem a doença.
No estudo constaram 55 pacientes de cancro de pulmão, 31 de cancro de mama e 83 indivíduos controlo. Em todos os estágios das doenças a sensibilidade e especificidade foram relativamente semelhantes e maiores que 88%.
Como sabemos a deteção precoce do cancro com os métodos de diagnóstico atuais têm uma capacidade limitada. Esta nova informação é de extrema importância pois implicará um tratamento com menos toxicidade e um longo prazo de sobrevivência.
Uma alternativa aos métodos diagnósticos atuais é a deteção de biomarcadores, com amostras ao sangue, através de métodos de química analítica. Contudo estes métodos têm enormes desvantagens e limitações que, por sinal, o cheiro canino pode ultrapassar. E isto acontece porque a espécie tem cerca de 40 vezes mais recetores de odores que o Homem (200 milhões de recetores), em que, cada um, é cerca de 10 vezes mais sensível do que os nossos.
O estudo, levado a cabo por Michael McCulloch, teve 3 objetivos: perceber se cães sem treinamento prévio poderiam ser treinados relativamente rápido para detetarem estas doenças; saber se os cães, após treino, conseguiam distinguir, entre si, o cancro de pulmão e de mama; por fim, determinar se alguma variável interferia com o diagnóstico, como estado da doença, idade, tabagismo e a última refeição feita.
Em 2 ou 3 semanas o treino dos cães estava completo e estes prontos para fazer a experiência. Foi feita uma experiência com uma cortina opaca entre o paciente e o cão (“simples – cego”) e, posteriormente, com pacientes que não participaram na fase de treinamento (“duplo -cego”).
Apesar de ser um estudo que ainda tem algumas falhas em si e devido ao facto de não estar previsto nos próximos anos haver um cão nos consultórios médicos para fazer tal diagnóstico, não deixa de ser algo inovador e que nos poderá abrir muitas portas e respostas não só para a deteção desta doença, mas também para o tratamento da mesma.
McCulloch at el, 2006
