Megaesôfago congênito em cão

Megaesôfago congênito em cão

 

O megaesôfago caracteriza-se por uma alteração na fisiologia do trânsito alimentar em decorrência da disfunção de motilidade e peristaltismo proveniente de causas como estenose secundária à inflamação da musculatura esofágica, obstruções físicas parciais, desordem de inervação ou persistência do arco aórtico direito, resultando no acúmulo de água, alimento e ar intraesofágico e consequente dilatação passiva do órgão.

Pode-se classificar o megaesôfago em congênito, adquirido idiopático ou adquirido secundário. Há descrições de predisposição hereditária em algumas raças para o desenvolvimento da afeção, como Fox Terrier, Schnauzer, Pastor Alemão, Dogue Alemão, Golden Retriever e Setter Irlandês.

O presente relato tem como objetivo descrever um caso incomum de megaesôfago em uma canina de pequeno porte, da raça pinscher, de cinco meses de idade, evidenciando os seus aspetos clínicos, método de diagnóstico e terapêutica instituída para o caso.

MATERIAL E MÉTODOS

Foi atendido no Hospital Veterinário, uma paciente da espécie canina, da raça Pinscher, com cinco meses de idade, pesando 2 kg. Durante a anamnese, foi relatado que a paciente apresentava apetite voraz, regurgitação há três meses, fato que coincidiu com o período de desmame e desde então, demonstrando perda de peso progressiva. Ao exame físico foi observado que a paciente se encontrava abaixo do peso e apática, com os demais parâmetros fisiológicos dentro da normalidade. Diante das alterações relatadas, foram realizados exames complementares, incluindo hemograma, onde não evidenciou nenhuma alteração, bioquímimica e urinálise, ambos dentro dos parâmetros de normalidade para a espécie. Como avaliação complementar, procedeu-se à realização de um exame de radiografia simples e contrastada, o qual demonstrou a presença de megaesôfago sem complicações secundárias a enfermidade.

Assim sendo, instituiu-se tratamento paliativo através do manejo alimentar, indicando-se o fornecimento de dieta pastosa, fracionada em cinco vezes ao dia. A paciente apresentou uma melhoria significativa no escore corporal com redução do quadro de regurgitação após quarenta dias de tratamento. No entanto, veio a óbito em decorrência de um atropelamento.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O megaesôfago congênito refere-se à hipomotilidade e à dilatação do esôfago, provocando quadros de regurgitação, que acarretam perda de peso progressiva e retardo no desenvolvimento do filhote após o desmame. Os sinais clínicos comumente encontrados, além dos já descritos, incluem sialorréia, odinofagia, disfagia e apetite voraz.

A paciente acompanhada não apresentou sinais clínicos compatíveis com possíveis complicações secundárias ao megaesôfago, além de não ter apresentado alterações radiográficas sugestivas de pneumonia aspirativa ou outros detalhes diagnosticadas pelo exame. As alterações respiratórias são normalmente descritas em pacientes com megaesôfago, muitas vezes indicando um quadro de pneumonia por aspiração evidenciados por tosse, taquipneia, pirexia e cianose.

CONCLUSÃO

Embora o megaesôfago seja uma enfermidade relativamente comum, nota-se uma escassez de dados em literatura que elucidem a verdadeira etiologia da forma congênita. Assim, pode-se concluir que apesar de cães de médio e grande porte apresentarem maior predisposição para o desenvolvimento do megaesôfago, raças de pequeno porte também podem ser acometidas pela doença. Além disso, tendo em conta a inexistência de tratamento curativo para a enfermidade, pode-se afirmar que o manejo clínico dietético permitiu a recuperação e manutenção nutricional da paciente aqui descrita, livre de comorbidades durante o tempo de tratamento.

BIBLIOGRAFIA

MEGAESÔFAGO congênito em cão. Pubvet, [S. l.], p. 1-6, 19 jan. 2021.