Ansiedade de separação em cães

Ansiedade de separação em cães

 

Na natureza os cães vivem em matilhas e raramente estão sozinhos. Assim, não é de estranhar que o medo de ficar sozinho seja um problema comum nos cães. A ansiedade pode provocar comportamentos para atrair outros membros, como vocalização, escavação, mastigação, hiperatividade. Com a domesticação, o cão assimila que seu proprietário é parte de sua matilha e, em alguns casos, a dependência emocional envolvida pode favorecer distúrbios de comportamento em situações específicas, como quando o tutor sai de casa. O termo utilizado em Medicina Veterinária para essas alterações é ansiedade por separação (AS) ou Síndrome de Ansiedade de Separação (SAS). A síndrome de ansiedade por separação tem sido cada vez mais comum nos dias de hoje.

REVISÃO DE LITERATURA

A AS em cães é um problema comportamental aflitivo que ocorre quando o animal é separado de seu dono. O problema pode acontecer quando o tutor está fora de casa, mas também quando o tutor está em casa e o animal não consegue ter acesso a ele.

O início desse problema, muitas vezes, está relacionado à mudança na rotina do tutor e no tempo que ele passa com o animal. A ansiedade também pode ser devida a stresses ambientais, mudança para uma nova casa, após estadia em canil, medo, apego excessivo aos tutores e falta de estimulações ou interações.

Um dos sintomas de AS é o comportamento destrutivo do cão, danificando objetos pessoais dos tutores, como livros, roupas, sapatos e assentos de sofá. Alguns tutores acreditam que o comportamento destrutivo é uma forma de vingança do animal, pelo fato de ter sido deixado preso ou confinado. O que ocorre na verdade é que eles preferem esses objetos por trazerem o cheiro do proprietário, já que são frequentemente manipulados por ele. Essa ansiedade pode afetar os sistemas gastrointestinal (causando diarreia), cardíaco (taquicardia), respiratório (taquipneia) musculoesquelético (aumento da atividade) e oftálmico (aumento da pupila).

Para diagnosticar a AS, devem ser colhidas informações sobre o animal. Quando o animal é excessivamente apegado ao proprietário, os comportamentos ansiosos começam logo que o proprietário sai, mesmo que por pouco tempo.

O objetivo do tratamento é ensinar o animal a ficar calmo e tranquilo quando o proprietário não está presente. Esse tratamento pode ser feito com mudanças da interação cão – proprietário, mudanças no ambiente em que o animal vive e com medicamentos psicotrópicos.

Aumento de atividade física com o animal também é indicado para que ele fique menos ansioso. A intervenção farmacológica deve ser feita juntamente com o tratamento comportamental. O neurotransmissor serotonina é citado como importante agente no comportamento social dos animais, portanto agentes farmacológicos que aumentam a recetação de serotonina devem ser usados no tratamento de cães com AS. Antidepressivos tricíclicos (AT) e inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) podem ser utilizados.

Por se tratar de um problema comum na clínica de pequenos animais, a AS deve ser mais bem estudada pelo médico veterinário para que possa ser diagnosticada e tratada corretamente.

VER MAIS