A Peritonite Infeciosa Felina (PIF)

A peritonite infeciosa felina (PIF) é uma doença causada pelo coronavírus felino (FCoV), relativamente comum em gatos jovens com menos de um ano de idade (70%). O coronavírus felino é bastante comum e geralmente não causa sinais clínicos graves, mas em cerca de 10% dos gatos infetados, o vírus sofre uma mutação e multiplica-se gerando a doença conhecida por PIF.
Ocorre uma reação inflamatória, normalmente no abdómen, rim ou cérebro. Esta reação inflamatória causada pelo sistema imunitário ao defender o organismo do vírus é que desenvolve a progressiva e geralmente fatal peritonite infeciosa felina.
Estima-se que cerca de 25-40% da população de gatos domésticos tenham FCoV, sendo que é mais comum em locais com uma elevada população felina. O contacto com fezes infetadas é a principal fonte de infeção. Cerca de uma semana após a infeção, começam a libertar o vírus nas fezes durante semanas, meses ou para o resto da vida.
O PIF é diferenciado em duas formas principais: húmida e seca. A forma húmida (efusiva) é caracterizada por uma efusão abdominal e torácica e vasculite, já a forma seca (não efusiva) é caracterizada por lesões granulomatosas em diferentes órgãos. A forma da PIF depende da resposta imunomediada das células T, sendo que a forma húmida ocorre devido a uma fraca resposta imunitária.
Os sinais clínicos são muito variáveis consoante a distribuição da vasculite e das lesões piogranulomatosas, mas é comum apresentarem letargia, anorexia, perda de peso e febre não responsiva a antibióticos. Ascite é o sinal clínico mais comum, na forma húmida.
O diagnóstico ante-mortem é difícil devido à má condição geral em que o gato se encontra para o submeter à recolha de biópsias, pelo que o diagnóstico é feito com base na história, nos sinais clínicos e nos exames complementares disponíveis.
Relativamente a gatos com efusões pleurais ou torácicas, o líquido característico de PIF é amarelado, com elevada quantidade de proteínas, podendo ser analisado a partir de um teste de Rivalta. A citologia da efusão apresenta-se normalmente com muitos macrófagos e neutrófilos.
O hemograma apresenta-se com um aumento ou diminuição das células brancas, com anemia não regenerativa e hiperglobulinémia. É possível fazer uma deteção de anticorpos onde valores titulares elevados podem indicar uma maior probabilidade de diagnóstico de PIF.
O tratamento atual consiste na modificação do sistema imunitário felino na resposta ao FCoV e na inibição direta da replicação do vírus, mas ainda nenhum fármaco é legal em Portugal para a terapia desta doença.
