Infeção por Encephalitozoon cuniculi em coelhos

Infeção por Encephalitozoon cuniculi em coelhos

 

Encephalitozoon cuniculi é um protozoário que afeta várias espécies, incluindo os coelhos e a sua transmissão ocorre pelo contato com urina infetada com esporos (Varga, 2014). Estes esporos podem permanecer infetantes sob condições ambientais durante 1 mês, porém são fáceis de eliminar através do uso de desinfetantes (A.Mitchell & Thomas N.Tully, 2016 ). Após o coelho ingerir os esporos infetantes, a replicação ocorre no epitélio intestinal. Posteriormente, os macrófagos transportam esses mesmos esporos para o fígado, rim, sistema nervoso central, pulmões e coração. Nesses órgãos-alvo, ocorre inflamação e formação de granulomas devido à libertação dos esporos das células infetadas (A.Mitchell & Thomas N.Tully, 2016 ).
Apesar de maior parte dos casos se apresentarem na forma assintomática alguns animais desenvolvem problemas neurológicos e/ou doença renal (Varga, 2014). Podem ainda desenvolver problemas oculares tais como: uveíte e formação de cataratas, em coelhos jovens (Varga, 2014).
A doença vestibular central nos coelhos é a manifestação clínica mais frequentemente reconhecida aquando da infeção por Encephalitozoon cuniculi, sendo a pasteurelose o seu principal diagnóstico diferencial. Com efeito, a infeção ascendente de Pasteurella multocida pode disseminar-se pela cavidade nasal até ao ouvido médio e por meio da trompa de Eustáquio atingir o ouvido interno e o trato vestibular (Varga, 2014). De forma a distinguir ambas as infeções, é importante realçar que geralmente a pasteurelose causa doença vestibular periférica enquanto a encefalitozoonose causa doença vestibular central (Varga, 2014).
O diagnóstico antemortem de Encephalitozoonose é possível através do teste ELISA indireto que é capaz de medir o título de anticorpos no soro.
No que diz respeito ao tratamento, este baseia-se, essencialmente, em prevenir a formação de esporos e reduzir a inflamação (A.Mitchell & Thomas N.Tully, 2016 ).
Além do tratamento farmacológico, é também recomendável realizar-se a medição de anticorpos a cada 6 meses de modo a prevenir novas infeções ativas pelo parasita. De facto, apesar da medicação conseguir solucionar a forma ativa da infeção, a forma esporulada mantem-se permanentemente dentro das células. Esta tem por norma, recidivar passado 6 a 8 meses na sua forma ativa. Assim, a medição periódica do título de anticorpos permite que quando a forma ativa surge novamente, esta seja combatida de forma eficaz o mais rapidamente possível.

Bibliografia
A.Mitchell, M., & Thomas N.Tully, J. (2016 ). Em M. A.Mitchell, & J. Thomas N.Tully, Current Therapy in EXOTIC PET PRACTICE . ELSEVIER .
Varga, M. (2014). Em M. Varga, Textbook of Rabbit Medicine. Elsevier.