Bem-estar de Golfinhos em Cativeiro

O bem-estar animal é uma preocupação crescente nos últimos anos, no entanto não são encontradas muitas pesquisas sobre o assunto principalmente no mundo dos cetáceos (baleias, golfinhos e toninhas). Os golfinhos nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) são os mais estudados em ambientes de cativeiro e para discutir o seu bem-estar podemos basear-nos, essencialmente, no seu comportamento e saúde.
O cativeiro de golfinhos pode apresentar prós e contras. Um fator a favor é a recuperação de animais com ferimentos ou doenças, o outro é a diminuição da exposição à poluição marítima. Contudo, devido à alta inteligência destes animais, o seu bem-estar pode ficar comprometido em cativeiro.
É por isso importante conhecer o dia-a-dia de um golfinho em liberdade, para comparar o seu comportamento em cativeiro e confirmar o seu bem-estar.
Uma das atividades mais significativas para estes animais é a natação, sendo que passam em média 38% do seu tempo a viajar, dedicando o resto do seu tempo a outras atividades, como mergulho e surf, caça e interações sociais. Um estudo realizado com golfinhos-nariz-de-garrafa registou uma velocidade de 24 Km/h no seu ambiente natural, sendo que esta podia ser ultrapassada em situações de caça.
Neste quesito, a caça é considerada uma das mais estimulantes atividades para estes animais, podendo percorrer até 100 km à procura de alimento – comportamento que permite ainda uma grande interação social com outros golfinhos, além da sua função primordial. Esta interação, a par das brincadeiras entre eles, demonstra a condição do seu bem-estar e a inteligência que lhes é atribuída.
Em cativeiro, os golfinhos não conseguem realizar a maioria destas atividades, o que predispõe a um comprometimento do seu bem-estar, justificadamente posto em causa por muitos. Viver em ambientes artificiais não é muito favorável. Um golfinho que nada livremente no oceano, e está agora em cativeiro, deve habituar-se a pequenas lagoas, o que os torna mais sedentários. Para além disso, estes locais são quimicamente tratados, o que os torna mais propícios a alergias e inflamações, devido às alterações de ph do cloro e da água.
Em cativeiros específicos, para demonstrações ao público, estes animais aumentam o seu nível de excitação, o que os pode deixar num elevado estado de stress e, até, causar distúrbios físicos e mentais.
Outro aspeto negativo dos cativeiros costuma prender-se com a falta de sombra, devido à insuficiente profundidade das águas, o que provoca uma excessiva exposição à radiação solar e que pode ser a causa de queimaduras na pele destes golfinhos.
Em suma, os golfinhos são mamíferos marinhos extremamente inteligentes, sociais e auto-conscientes com capacidades cognitivas complexas. Na natureza eles nadam grandes distâncias em oceanos abertos, caçam, procuram atividades prazerosas e desfrutam de várias formas de diversão, as quais não conseguem ter equivalência em ambientes de cativeiro, e podem consequentemente impactar negativamente o seu bem-estar, a nível físico e psicológico.
Bibliografia
Hawkins E & Gartside D (2008) Social and behavioural characteristics of Indo-Pacific bottlenose dolphins (Tursiops aduncus) in northern New South Wales, Australia. Australian Mammalogy; Couquiaud L (2005) A survey of the environments of cetaceans in human care. Aquatic Mammals; Paulos RD, Trone M & Kuczaj II SA (2010) Play in wild and captive dolphins. International Journal of Comparative Psychology, 23(4).
