Hemangiossarcoma esplénico no cão

Hemangiossarcoma esplénico no cão

É uma neoplasia agressiva em cães, que apresenta metastização rápida e disseminada, o que pode ser atribuído à sua origem. Esta pode ocorrer por via hematogénica ou disseminando-se após a rutura do tumor, mais frequentemente no abdómen.
Existem várias apresentações de hemangiossarcoma, podendo dividir-se em dois grandes grupos: cutâneos e não cutâneos, que por sua vez incluem hemangiossarcomas esplénicos (os mais comuns), cardíacos e hepáticos.

Em cães, compreende aproximadamente 50% de todos os tumores esplénicos, portanto, quando detetadas massas esplénicas, o hemangiossarcoma deve ser um importante diagnóstico diferencial a ter em consideração. A incidência do hemangiossarcoma, em cães com massas esplénicas, é maior em animais com hemoperitoneu.
O hemangiossarcoma esplénico apresenta várias patologias associadas, tais como a presença de hemorragias graves, arritmias cardíacas e coagulação intravascular disseminada por formação de canais vasculares anormais que iniciam a cascata de coagulação.

Relativamente ao hemangiossarcoma esplénico, podemos afirmar que há maior prevalência na espécie canina do que nas restantes espécies domésticas, representando aproximadamente 2% dos tumores caninos.

Encontra-se documentada uma associação entre os hemangiossarcomas atrial direito e o esplénico concomitantes, sendo a sua incidência aparentemente influenciada pelo facto de os sinais na apresentação clínica estarem associados a uma massa cardíaca ou esplénica. A morte geralmente ocorre devido à hemorragia incontrolável provocada pela rutura do tumor.

Quanto ao tratamento, existem várias opções, desde cirurgia, quimioterapia, imunoterapia, radioterapia e tratamento médico. O prognóstico é altamente dependente da localização do tumor, fase da doença, e da terapia seguida. De um modo geral, pelo facto do HSA ser uma neoplasia maligna e agressiva, o prognóstico é considerado reservado, sendo que em animais com presença de metástases a excisão cirúrgica do tumor primário é apenas um tratamento paliativo. Massas sólidas e únicas apresentam prognóstico melhor do que massas múltiplas.

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