Portugalosuchus azenhae: a nova espécie de crocodilo fóssil de Portugal

Sabe-se que o fóssil de crocodilo mais antigo do mundo pertence a Portugal. Até agora, pensava-se que os crocodilos tinham surgido há setenta e cinco milhões de anos. Porém, a descoberta de um crânio e mandibula de crocodilo com noventa e cinco milhões de anos levou à conclusão de que estes animais apareceram na Terra vinte milhões de anos mais cedo do que o que se suponha. Matilde Azenha é responsável por esta descoberta e deparou-se com estes fósseis quando fazia estudos de terreno na pedreira de Carecos, no distrito de Tentúgal, em Coimbra. Estes fósseis foram estudados pelos paleontólogos Octávio Mateus e Eduardo Puértolas-Pascual, da Universidade Nova de Lisboa, e por Pedro Callapez, da Universidade de Coimbra. Sendo assim, por apresentar características nunca antes vistas, este fóssil foi classificado como pertencendo ao período do Cretácico. Uma vez que a mandíbula apresenta uma abertura, é possível definir este achado como um verdadeiro crocodilo (pertencente ao grupo “Crocodylia”) e não um crocodilomorfo (réptil semelhante a um crocodilo que não possuía a tal abertura). Esta abertura terá servido, provavelmente, para abrir uma passagem de músculos, artérias e nervos, o que terá permitido a chegada destes animais até à idade atual. Para além das referências a Portugal, a origem do seu nome científico indica uma clara homenagem à geóloga que descobriu este o fóssil, Matilde Azenha.
Este fóssil foi doado e, brevemente, será exposto no museu da Lourinhã.
