Dermanyssus Gallinae: O monstro da avicultura

Dermanyssus Gallinae: O monstro da avicultura

 

Da autoria de Fernando Carrasquer, um veterinário especializado em avicultura, a exercer de momento funções na H&N International GMBH Cuxhaven, o artigo publicado na Albeitar de Jan/Fev. de 2020 fala-nos exatamente do parasita Dermanyssus Gallinae.
 
Comumente designado por ácaro vermelho, estes seres não habitam nas aves, mas sim nas zonas envolventes, como jaulas e poleiros. Devido às suas propriedades hematófagas, a principal sintomatologia manifestada pelas aves é a anemia regenerativa, podendo também provocar alterações comportamentais, perda de penas, canibalismo e colibaciloses.
 
Dada a sua adaptação ambiental, o ácaro vermelho é de difícil controlo. Tem a capacidade de sobreviver durante mais de 7 meses nos períodos de vazio sanitário, adapta-se perfeitamente às temperaturas e humidades praticadas nos aviários e as suas elevadas resistências aos tratamentos químicos fazem com que as suas prevalências superem os 80%.
 
Estima-se que o Dermanyssus Gallinae tenha como temperatura ideal os 20-30ºC e a humidade relativa de 60-70%, sendo que temperaturas mais elevadas favorecem a sua reprodução.
O que implementar para diminuir a prevalências destes monstros da avicultura:
– Retirar as aves com frequência, dado que, sem sangue as fêmeas perdem a capacidade de reprodução;
– Lavar os pavilhões com água quente e sabão;
– Aplicar tratamentos de calor durante o vazio sanitário, uma vez que o ácaro vermelho se torna inviável a partir dos 45ºC.
 
Apesar de parecerem medidas simples e bastante fáceis de implementar, são na verdade mais complicadas do que parecem. Isto porque temperaturas elevadas podem danificar os aviários e os seus materiais e nem sempre os tratamentos químicos são favoráveis do ponto de vista económico e biológico.
 
Se conseguirmos aliar um tratamento económico e que tenha em conta a biologia do ácaro vermelho, muito provavelmente teremos um tratamento eficaz e acessível aos diversos produtores.