Coccidiose em Coelhos

As coccidioses em coelhos são infeções causadas principalmente pelos protozoários do Filo Apicomplexa, Família Eimeriidae e do Género Eimeria. Existem mais de 1.000 espécies dentro deste género mas apenas 11 afetam os coelhos: Eimeria coecicola, E. exígua, E. flavescens, E. intestinalis, E. irresidua, E. magna, E. media, E. perforans, E. piriformis, E. stiedai, E. vejdovsyi.
A coccidiose cunícola carateriza-se por afetar principalmente o trato intestinal, mas também tem apresentação hepática. A espécie Eimeria stiedai é a única que afeta o fígado dos coelhos. As afeções a nível intestinal são as mais prevalentes e geralmente afetam os animais mais jovens. Eimeria flavescens, E. intestinalis, E. magna, E. perforans são as 4 espécies que se destacam pelos seus graus de patogenicidade a nível intestinal e pelo seu predomínio nas explorações de produção de coelho.
Sabe-se que há uma maior taxa de infetados nos meses de inverno e que os animais mais jovens são mais suscetíveis à infeção principalmente na altura de desmame. Também se sabe que há uma maior prevalência associada às explorações familiares e onde exista uma má higiene ambiental.
A presença de sinais clínicos depende da patogenicidade da espécie infetante e da carga parasitária presente. A coccidiose intestinal pode ser classificada em 4 grupos consoante a sua patogenicidade: não patogénico, moderadamente patogénico, muito patogénico e patogenia desconhecia. Porém, há que ter em conta que quando um leporídeo manifesta uma infeção por coccídeos esta poderá ser devida a várias formas infetantes, havendo uma diversidade de sinais clínicos relacionados com doença no trato gastrointestinal. Os sinais clínicos são diarreia, perda de peso, anorexia, depressão e, em casos mais graves pode ocorrer desidratação e morte devido a uma infeção secundária por bactérias. Geralmente, a diarreia apresenta muco e sangue. Os animais mais jovens podem apresentar um retardo no crescimento.
No geral, verificam-se as vilosidades intestinais estão destruídas, as criptas dilatadas e o tamanho das células está diminuído devido à presença de esquizontes no intestino. Para além disso, verifica-se congestão, edema e espessamento da mucosa intestinal. Ainda, poderão ser visíveis focos hemorrágicos ou fibróticos na parede intestinal. Devido á destruição das vilosidades e a grande erosão e ulceração intestinal, ocorre uma má absorção dos nutrientes e os animais poderão desenvolver anemias e hipoproteinemias.
O tratamento deve-se sobretudo à administração de Coccidiostáticos e Antibióticos.
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