Lémures mostram que não há fórmula para amor eterno

Um estudo, publicado no dia 12 de fevereiro de 2021 pelo jornal Scientific Reports, estabeleceu comparações em relações entre espécies monogâmicas e não monogâmicas num grupo de lémures.
Dentro das famílias de lémures, os lémures de barriga vermelha e os lémures-mangusto destacam-se por manterem uma relação macho-fêmea durante anos, unindo-se de modo a educarem as suas crias e a defender o território.
Contudo, é importante salientar que na grande maioria dos animais a monogamia é rara, rondando os 3% a 5% nos mamíferos. Deste modo, torna-se importante questionar qual é explicação biológica que torna algumas espécies inclinadas para formar uma relação a longo termo com o par enquanto as restantes mantêm “relações abertas”.
Estudos apontam que a resposta se baseia na forma em como a vasopressina e a oxitocina, duas hormonas libertadas durante o acasalamento, atuam no cérebro.
As primeiras evidências foram encontradas após estudos em arganazes da pradaria (Microtus ochrogaster), pequenos mamíferos, que, ao contrário da maioria dos roedores, estabelecem relações monogâmicas.
Quando se comparou o cérebro de um arganaz da pradaria ao de um seu semelhante, arganaz da montanha, verificou-se que estes possuíam uma localização diferente dos recetores de oxitocina e de vasopressina. Uma vez que a localização dos recetores está intimamente ligada aos circuitos neurais que se estabelecem, uma localização diferente implica diferentes circuitos neurais, levando a diferenças comportamentais. Além disso, é importante referir que a localização dos recetores em regiões que estão fortemente ligadas ao sistema de recompensa culminam num maior contato social – sendo este o caso dos arganazes da pradaria (Moura, 2008).
Por outro lado, aquando da comparação de resultados de imagens no cérebro de lémures com outros primatas, verificou-se que a oxitocina e a vasopressina atuam de forma diferenciada nos lémures, o que poderia explicar a tendência para a monogamia em algumas espécies.
Contudo, dentro dos lémures as diferenças encontradas no cérebro entre as espécies monogâmicas e não monogâmicas não foi significativa o que demonstra que apesar dos circuitos neurais contribuírem para a monogamia em outras espécies, nos lémures ainda não há uma conclusão sobre de que forma é que a monogamia é desencadeada.
Assim, de forma a obter mais respostas, o próximo passo será observar o comportamento dos lémures após a administração de um antagonista que iniba temporariamente a oxitocina de se ligar aos seus recetores no cérebro. De qualquer forma, é relevante salientar que apesar da oxitocina ser considerada a “hormona do amor”, outros fatores tais como: fatores ecológicos e diferentes combinações neurais podem contribuir ou não para a monogamia, como foi dito previamente.
