ABC da Fluidoterapia

ABC da Fluidoterapia

 

A fluidoterapia é um meio terapêutico essencial na prática de pequenos animais. Fluidos intravenosos são prescritos para tratar desidratação, hipovolémia, desequilíbrios eletrolíticos e ácido-básicos.

O peso corporal de cães e gatos não obesos é composto por, aproximadamente, 60% de água, sendo que em jovens têm até 80% do peso corporal. Deve-se ter em consideração que a gordura tem menor teor de água, pelo que a prescrição de fluidos deve ser baseada no peso corporal magro estimado.

Em cães e gatos adultos não obesos, aproximadamente dois terços da água corporal estão no espaço intracelular e o terço restante no espaço extracelular, em que 75% encontra-se no espaço intersticial e 25% no espaço intravascular.

A perda de líquido intracelular não é avaliada no exame físico e manifesta-se como hipernatremia.

O défice de fluído intravascular (hipovolémia) traduz-se numa má perfusão e consequente choque. Sinais clínicos de hipovolémia são taquicardia em cães e bradicardia em gatos, mucosas pálidas, extremidades frias e pulso fraco.

O défice de fluído intersticial (desidratação) é avaliado com base na percentagem de líquidos perdidos estimados. Alguns sinais clínicos de desidratação são a mucosas secas, tempo da prega cutânea aumentada e olhos fundos. De acordo com o grau de desidratação, os sinais clínicos vão se alterando.

Existem dois tipos de fluídos a administrar: os cristalóides e os colóides.

Os cristalóides são soluções à base de água com pequenas moléculas osmoticamente ativas e permeáveis à membrana capilar. Os cristaloides isotónicos (por exemplo, NaCl a 0,9% e Lactato de Ringer), têm osmolaridade semelhante à do plasma e, portanto, não causam inchaço ou encolhimento celular quando administrados. Os cristaloides hipotónicos e hipertónicos têm osmolaridade mais baixa e mais alta, respetivamente, quando comparados ao plasma.

Os colóides sintéticos (por exemplo, soluções de hidroxietilamido) são fluidos à base de cristaloides compostos de grandes moléculas que não são permeáveis. Os colóides podem ser usados para tratar a hipovolémia ou hipoproteinémia.