Os elefantes têm cancro?

Seria expectável que, atendendo às dimensões e esperança média de vida dos elefantes, encontrássemos vários relatos de cancro nestes animais. Contudo não é o que acontece.
As células passam por sucessivas divisões celulares, e em cada divisão celular é possível que ocorram mutações e certas mutações podem levar ao aparecimento de cancro. Os elefantes vivem em média sessenta e cinco anos e quantos mais anos viveram os animais, maior a probabilidade de ocorrerem mutações que possam levar a cancro.
Os elefantes, que são os maiores mamíferos terrestres, têm em média 1000 triliões de células, comparativamente com os humanos que têm, em média, 37 triliões de células. Uma vez que todas as células têm o mesmo risco de desenvolver cancro, seria normal pensar que os elefantes têm uma maior probabilidade de vir a desenvolver a doença.
Contudo não é isso que se verifica. Os elefantes raramente desenvolvem cancro, o que poderá indicar que estes animais evoluíram de modo a melhorarem os mecanismos que previnem o aparecimento de cancro.
Isto fez com que investigadores se focassem num gene que é o precursor de uma proteína supressora de tumores, conhecida como TP52. Os humanos têm uma copia do gene TP52, enquanto os elefantes têm 20 copias.
Foi feito um estudo publicado na eLife, em que analisou o ADN dos elefantes para pesquisarem que componentes anti tumorais é que estão presentes.
O estudo foi feito com três espécies de elefantes e até com animais já extintos como o mamute. Foram isolados treze genes, todos relacionados com funções anti tumorais, e repararam que esses treze genes estavam duplicados nas três espécies de elefantes.
O que concluíram foi que, estes animais puderam evoluir até as suas dimensões atuais devido às copias extras dos genes anti tumorais.
