Quilotórax

Quilotórax

 

O quilotórax, caracterizado pelo acúmulo de quilo na cavidade torácica, é uma doença incomum que afeta cães e gatos.

O quilo tem uma aparência leitosa característica e contém moléculas de gordura.

A cisterna de chyli (CC) é um reservatório linfático que recebe quilo do intestino, mas também recebe fluido linfático do resto do abdómen e dos membros pélvicos. O ducto torácico (DT) é a extensão do CC para o tórax, que carrega o quilo para a cavidade torácica e, eventualmente, esvazia seu conteúdo na veia cava cranial (VCCr) próximo ao coração.

Qualquer processo que obstrua ou impeça o fluxo de quilo do DT para o VCCr pode potencialmente levar a quilotórax.

Alguns diagnósticos diferenciais incluem neoplasias, doenças fúngicas, cardíacas e coágulos sanguíneos na VCCr. No entanto, a causa subjacente raramente é encontrada, pelo que o quilotórax é considerado idiopático.

O fluido linfático, também é um componente principal do quilo, contém proteínas, glóbulos brancos e vitaminas. A perda de grandes quantidades de quilo no tórax pode enfraquecer o sistema imunológico do seu animal e criar graves distúrbios metabólicos.

Os sinais clínicos não são específicos do acúmulo de quilo no tórax, pois qualquer substância que impeça a expansão pulmonar pode causar dificuldades respiratórias e gerar tosse produtiva. Com a perda de grandes quantidades de quilo no tórax, pode perder nutrientes e ficar letárgico ou perder o apetite. A exposição crónica da pleura e do pericárdio ao quilo pode levar à inflamação dessas superfícies.

À auscultação, podem existir sons cardíacos ou pulmonares reduzidos, como resultado do fluido na cavidade torácica.

Um sopro cardíaco, é um achado importante, pois a doença cardíaca é uma possível causa de quilotórax.

Se houver suspeita de líquido na cavidade torácica, o teste diagnóstico realizado é a radiografia, para confirmar a presença de líquido no tórax. Depois de confirmar o derrame pleural, uma amostra do fluido deve ser retirada por toracocentese e ser analisada. Se o líquido for leitoso, pode-se suspeitar fortemente de quilotórax.

Outros exames a realizar incluem ecografia cardíaca, torácica ou TAC.

O maneio médico do quilotórax envolve a evacuação do quilo, com um tubo colocado no tórax ou toracocentese intermitente.

O nutracêutico rutina pode ser um suplemento oral útil, em que se suspeita que estimule a degradação e remoção de proteínas nos vasos linfáticos, mas a sua eficácia ainda não foi comprovada.
A intervenção cirúrgica para o tratamento do quilotórax idiopático em cães e gatos é frequentemente realizada.

A técnica cirúrgica mais realizada é a ligadura do ducto torácico (TDL), em que objetivo é promover novas conexões linfáticas com o sistema venoso no abdómen, evitando o fluxo do quilo para o DT. Recentemente, o TDL foi combinado com a pericardiectomia, o que resultou em maiores taxas de sucesso.

Alguns cirurgiões também realizam uma linfangiografia, para confirmar o TDL após a cirurgia.

Outra técnica que se mostrou promissora no tratamento cirúrgico do quilotórax é a ablação da cisterna do quilo (CCA). Esta técnica, destrói o reservatório de quilo no abdómen e permite que o corpo crie caminhos alternativos para o líquido linfático entrar na corrente sanguínea, aliviando assim a pressão no ducto torácico.

A videotoracoscopia é uma alternativa minimamente invasiva à cirurgia torácica e tem sido usada para realizar TDL, pericardiectomia e CCA em cães. Recentemente, técnicas minimamente invasivas para a realização da linfangiografia também foram descritas e podem reduzir significativamente o tempo necessário para a realização da linfangiografia e aliviar a necessidade de uma cirurgia abdominal.