Evisceração vs Enucleação nos Pássaros

A enucleação é o procedimento orbital mais comum na prática clínica de pequenos animais. Define-se como a remoção do globo e membrana nictitante, glândulas orbitais e margens palpebrais. A evisceração aplica-se a danos extensos ou que envolvam os tecidos adjacentes, como neoplasias, traumas severos e infeções.
Ambas as técnicas são muito semelhantes entre mamíferos e pássaros, no entanto, existem aspetos anatómicos que devem ser tidos em conta. Os pássaros têm rigidez do globo, uma parede posterior da órbita frágil e suscetível a trauma, bem como um nervo ótico curto. Para além disso, a presença de ossículos esclerófitos e enclausuramento apertado do globo dificulta esta intervenção. Isto faz com que esteja mais propício a danos iatrogénicos intra-cirúrgicos, como a cegueira do olho contralateral. De notar que algumas aves apresentam um globo ocular com tamanho considerável, o que resulta numa extensa desfiguração após a sua remoção.
A cirurgia inicia-se com a assepsia da região, incluindo a depenagem cuidadosa das penas ao longo das margens das pálpebras e da região adjacente. De modo a visualizar os músculos e vasos sanguíneos, deve colapsar-se o globo ocular. Posteriormente, a córnea é excisada com uma tesoura de tenotomia de Wescott e a íris, a lente, o corpo vítreo, a retina e a úvea são removidos recorrendo a uma dissecação suave e romba. Seguir-se-á a sutura das bordas das pálpebras superior e inferior, com sutura simples interrompida.
Especialmente em aves que vão ser libertadas, o cuidado principal deve ser perceber se o animal consegue adaptar-se a viver normalmente sem um olho. Se assim for, o prognostico é favorável (a não ser que se trate de uma neoplasia).
Bibliografia / Webgrafia
Bennett, R. A., & Harrison, G. J. (1994). Soft Tissue Surgery. Em G. J. Branson W. Ritchie
Murray, M., Pizzirani, S., & Tseng, F. (2013). A Technique for Evisceration as an Alternative to Enucleation in Birds of Prey: 19.
