Dermatite Miliar Felina

A dermatite miliar felina não é considerada uma patologia, mas sim uma manifestação clinica comum a várias doenças dermatológicas. O termo “miliar” sugere algo pequeno e em grande quantidade como várias sementes e está relacionado com a sensação encontrada ao examinarmos a pele de um gato.
As lesões de dermatite miliar são descritas como pequenas pápulas geralmente crostosas, sendo mais facilmente identificadas através da palpação da pele do que pela observação durante o exame físico. Estas lesões apresentam uma forma semelhante a um alfinete e estão comumente localizadas na zona da cabeça e pescoço assim como nas extremidades, tronco e região dorso-lombar. As lesões podem ser localizadas ou generalizadas, serem o único sinal clinico ou então serem acompanhadas por outras lesões concomitantes como: alopecia; escoriações; erosões e úlceras.
A ocorrência de dermatite miliar felina está associada a uma série de causas. O diagnóstico diferencial inclui: dermatite alérgica à picada de pulga, hipersensibilidade alimentar ou ambiental; dermatite atópica; presença de ectoparasitas; infeções por bactérias, vírus ou dermatófitos; pênfigo foliáceo e síndrome hipereosinófilica felina. A causa mais frequente é a hipersensibilidade à picada de pulgas e, portanto, a desparasitação externa em animais de áreas endémicas é imprescindível. A nível do diagnóstico, a obtenção de uma boa história clinica permite identificar a verdadeira causa da dermatite miliar para realizar o tratamento mais adequado.
Comportamentos como o lamber excessivo, esfregar, mordiscar mais do que o habitual e alopecia em algumas regiões do corpo são sugestivos a prurido. Frequentemente, as dermatites em felinos são passadas despercebidas pelos tutores, na medida que a limpeza exagerada dos felinos nem sempre é associada ao ato de estes aliviarem o prurido.
Após a realização do exame físico geral com a palpação minuciosa da pele, examinação das patas e das garras, prossegue-se para um exame dermatológico detalhado.
Alguns dos testes de diagnóstico mais frequentes são: o tricograma que examina os pelos quanto à sua estrutura, presença de pulgas ou fezes destes ectoparasitas; raspagens cutâneas; flutuação fecal; exame citológicoe lâmpada de Wood. Os resultados de todos estes testes devem ser interpretados com base na historia clinica, lesões e exame físico.
O tratamento deve focar-se em tratar primariamente a origem da dermatite miliar e só depois as lesões. Em caso de infeção bacteriana, previamente deverá se realizar um antibiograma para selecionar o antimicrobiano adequado. O uso combinado de antimicrobianos tópicos e sistémicos demonstram-se eficazes, mas deve-se ter o cuidado de evitar a lambedura do gato após a aplicação de tratamentos tópicos.
Bibliografia
Dermatite-miliar-felina[View more];
